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domingo, 19 novembro 2006 18:53

O envolvimento comunitário como estratégia de intervenção

Escrito por  Enf. Paulo Santos

Este artigo é resultado de uma reflexão, de quem tem investido ao longo dos últimos anos na área dos cuidados continuados de saúde, pretendendo assim dar a conhecer a articulação interinstitucional que um Centro de Saúde, através do Programa de Cuidados Continuados, poderá promover como estratégia de actuação na prestação de cuidados na comunidade.

 

 

Paulo Santos

Enfermeiro Graduado

Mestrando em Saúde Pública

http://cuidadoscontinuados.no.sapo.pt

 

As transformações demográficas, sociais e familiares da sociedade têm vindo a revelar, com particular incidência, o aumento da população idosa com perda de autonomia, bem como o aparecimento de situações problemáticas no âmbito da saúde mental, dependência física, isolamento e exclusão social de sectores expressivos e tendencialmente crescentes em termos sociais.

A intervenção qualitativa e eficaz neste quadro referencial, passa, por imperativo da complexidade dos problemas sociais daí decorrentes, pelo estabelecimento de redes sociais locais de apoio integrado que estabeleçam entre si objectivos convergentes na vertente da prestação de Cuidados Continuados de Saúde e Apoio Social, de forma humanizada, global, continuada e executada, preferencialmente, no ambiente quotidiano dos indivíduos/famílias (ambulatório / domiciliário).

Assim, os Cuidados Continuados de Saúde e Apoio Social têm como objectivos:

  • Promover a saúde e qualidade de vida dos idosos e/ou de outras pessoas em situação de dependência e contribuir para a sua integração sócio-familiar e comunitária;

  • Manter a autonomia no domicílio e no seu ambiente habitual;

  • Assegurar a mobilidade e a acessibilidade a benefícios e a serviços;

  • Apoiar e formar as famílias, voluntários e outras pessoas da comunidade que assegurem cuidados ou acompanhem este tipo de situações;

e deverão contribuir para:

  • Criar respostas integradas entre os sectores da saúde e social, quer no domicílio, quer em regime ambulatório, de forma a colmatar o aumento exponencial do número de pessoas portadoras de doença crónicas, com curso inexorável para a deficiência, para a desvantagem e para a incapacidade, entre as quais se inclui uma percentagem significativa de pessoas idosas, que apresentam necessidades acrescidas de apoio social sem redução da necessidade de cuidados de saúde;

  • Promover e melhorar a prestação de cuidados de saúde e de apoio social integrados às pessoas idosas, centrados em equipas multidisciplinares, que possuam recursos humanos devidamente formados, e centrem a sua actuação numa componente de reabilitação e de acompanhamento, através de cuidados de média e de longa duração, indispensáveis a um sistema de saúde que se quer adequado para responder às necessidades de uma população em envelhecimento.

 

 

A eficiência da prestação de cuidados domiciliários é resultado de uma colaboração muito próxima entre todas as parcerias, visando a melhoria da qualidade de vida dos utentes idosos e/ou grupos vulneráveis dependentes, aos quais o Programa se dirige. O envolvimento das parcerias da comunidade local, têm como objectivo rentabilizar os recursos locais existentes e/ou apoiar a criação de novos recursos e ainda Reforçar as redes familiares e sociais de apoio.

As visitas em cuidados continuados (visitas domiciliárias), deverão ser efectuadas aos utentes dependentes/famílias, enquadrando-se em duas vertentes distintas: Tratamento /Prevenção e Promoção de Saúde.

Nas visitas em Tratamento a programação é efectuada não apenas na vertente curativa, mas também na preventiva, vendo o indivíduo do ponto de vista holístico, com uma abordagem das reais necessidades do utente e família.

As visitas em Promoção de Saúde são efectuadas aos utentes/família, tendo como objectivo o controlo do risco do agravamento do seu estado incidindo na Educação para a Saúde para Promoção da Qualidade de vida. A intervenção na vertente da educação, através do ensino e da informação aos familiares, parentela, vizinhos, amigos, voluntariado, assistentes domiciliárias, profissionais de saúde, e comunidade em geral, deverá ser uma linha de actuação, utilizando para isso um princípio fundamental de promoção de saúde, de que facilitando a informação e formação às pessoas, só assim estas estarão habilitadas a lidar com os desafios quotidianos controlando os seus problemas de saúde, para poderem tomar decisões saudáveis.

Na acção comunitária o incentivo à participação de redes de apoio social local, é de extrema importância, pois são estas instituições, cujo trabalho assenta muitas vezes num regime de voluntariado, que fazem apelo aos direitos dos doentes e famílias, exigem respeito pela pessoa, justiça, liberdade, autonomia e tolerância, de forma a manterem ou atingirem um lugar social digno, Fayn (1998). A sua força desenvolve-se no acolhimento e escuta personalizada de quem sofre e das respectivas famílias. Actuam como defensoras dos direitos de cidadania, lutando contra a marginalização, o abandono e o isolamento, em defesa da dignidade dos mais carenciados, combatendo assim de uma maneira mais eficaz as inequidades e desigualdades em saúde

Considera-se de grande importância, dar a conhecer esta articulação interinstitucional, que pela iniciativa modelar e dinamismo que imprime, contribuindo inequivocamente para a melhoria da eficiência e efectividade dos cuidados prestados, só demonstrado através da apresentação de resultados baseado na monitorização e avaliação dos cuidados continuados.
Assim estaremos a contribuir para melhorar a imagem das Instituições a que pertencemos e do próprio Sistema de Saúde.