Forumenfermagem

Autor Tópico: O que é mais importante?  (Lida 6501 vezes)

Offline Mauro Germano

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O que é mais importante?
« em: Junho 10, 2008, 06:18:11 »
Prestar os cuidados?

Registar os cuidadosprestados ?

Ambas?




Prestar cuidados a mais utentes ou melhores cuidados a menos utentes?

Offline Caldas

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Re: O que é mais importante?
« Responder #1 em: Junho 10, 2008, 10:14:03 »
Em primeiro lugar dar-te os parabéns por mais meia dúzia de questões brilhantes, penso que poderiam e deveriam estar era no tópico enfermagem geral, visto não achar que isto se trata de uma questão académica, mas de enfermagem.

Falar nestas questões, na minha opinião é debater enfermagem. É pensar o que é a enfermagem e como devem ser as nossas práticas quando afastadas das condições ideais para a sua realização. Assim sendo, acho que não é possível responder a nenhuma destas questões em separado.

Falar em prestar cuidados pressupõe sempre, falar em planeamento de cuidados e processo de enfermagem. Sem fazermos uma avaliação inicial da condição do utente não estamos a executar cuidados, mas a limitar-mo-nos a fazer tarefas. Assim sendo, a forma de pensar e planear os cuidados tem de assentar sempre no processo de enfermagem. Isto é, avaliar inicialmente a condição do utente, identificar problemas potenciais, problemas existentes e factores de risco (Juízo Diagnóstico), planear (com ele ou para ele) acções que visem evitar os problemas potenciais e resolver os previamente instalados, executar estes cuidados e fazer uma avaliação dos resultados obtidos com as nossas acções.

Até aqui não dei novidade nenhuma, aliás todo esta opinião não o dará, apenas juntará um conjunto de informações da temática.

Na lógica de que temos tempo para fazer isto tudo no papel, e tal como se ensina (nas boas escolas de enfermagem), os alunos planeiam por escrito estas acções. Os enfermeiros com o decorrer da prática devem fazê-lo mentalmente. Esbarramos então no primeiro grande recurso que não está em condições de qualidade: O tempo. Na actualidade este recurso é aquele que mais constrangimentos cria para a prática da enfermagem. Deste modo e como este recurso é finito temos de ter em conta na elaboração do plano de cuidados (plano de trabalho para um turno com vários doentes atribuídos) este factor. Isto é, torna-se imperativo definir prioridades de acção e definir aquelas intervenções, sem as quais a vida poderá estar potencialmente ameaçada e seguindo uma linha até às acções que visam promover a autonomia do utente e o sem bem-estar.

Por esta lógica toda exposta, apenas estamos a falar de prestar cuidados que devem ser face a escassez de tempo o principal alvo do nosso trabalho. Contudo, será possível não registar o que realizamos? Será possível chegar a cada turno e ter de repensar o processo todo da estaca zero?

A ausência de registo acerca de um plano de cuidados obriga a que o enfermeiro do turno a seguir faça novamente uma avaliação inicial do utente, elabore diagnósticos, torne a planear intervenções, ponha-as em prática e volte a avaliar. Porque não pode haver continuidade de cuidados se a informação da intervenção de enfermagem é apenas passada oralmente. Ou seja, entramos num contraditório, se o tempo é escasso e prestar cuidados é a área mais importante, como referi anteriormente, não estamos com a ausência de registos documentais do trabalho anterior, a voltar atrás no processo de avaliação e consequentemente a gastar mais um recurso que já referi anteriormente como escasso?

Não vou sequer falar da importância das entidades gestoras conhecerem o nosso trabalho, porque então aí os registos de enfermagem têm um papel essencial.

A questão que se colocará é que tipo de registos documentar? De que forma são estes realizados? Permitem e possibilitam a continuidade de cuidados? Ou são este apenas uma obrigação legal?

Os estudos desenvolvidos na área dos Sistemas de Informação em Enfermagem (SIE), demonstram que a informatização da saúde e o envolvimento dos enfermeiros na melhoria destes SIE permite não só gerir melhor o recurso escasso tempo, como também potencia uma melhoria da continuidade de cuidados e consequentemente uma melhoria na qualidade dos cuidados prestados.

Contudo, isto não é nada fácil, e parece-me que qualquer resposta que o colega magistral enunciou não tem uma resposta de sim ou não, parece-me que apenas um ponto de equilíbrio, não me lembro quem foi o teórico que disse que o mundo vive de equilíbrios e cada vez mais acredito nisto. Agora este equilibrio não é estático, mas sim dinâmico e o que num serviço poderá ser prestar mais cuidados e registar menos por estar em causa a vida do utente, noutros serviços poderá registar-se tudo o que se presta e com isso prestar menos cuidados, de modo, a sensibilizar os gestores para a problemática da falta de recursos.

A última questão que enuncias, é quase que um dilema ético, contudo, não consigo conceber cuidados de enfermagem sem qualidade, como tal, penso que não podemos falar de melhores cuidados, mas sim de mais ou menos cuidados. Assim, defendo que deve haver uma junção de todos os planos de cuidados dos doentes atribuídos e com isto definir prioridades e implementar as acções previstas de acordo com as necessidades dos utentes, do mais emergente para o menos urgente. A qualidade (palavra que atribuo significado quando ouço a palavra melhor) não pode nunca estar em causa.

Gostava de ver mais ideias de colegas sobre este assunto. 

Offline Mauro Germano

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Re: O que é mais importante?
« Responder #2 em: Junho 10, 2008, 18:42:59 »
Um ciclo vicioso é o que se pode chamar a isto... Menos registos, menor visibilidade, menor poder argumentativo, perda de condições laborais, diminuição do número de enfermeiros, menos tempo para efectuar registos...

Nalguma parte do círculo teremos de intervir, ou prioritariamente ou em todas.

Até lá...

Quanto à questão: Prestar cuidados a mais utentes ou melhores cuidados a menos utentes?

Pessoalmente, penso que para atingir a longo prazo algumas das metas fundamentais para a sobrevivência dos Enfermeiros ( a Enfermagem existirá sempre, os enfermeiros... isso depende de nós) temos de apostar no máximo de qualidade, no entanto face às condições actuais de exercício, tal exige-nos um exercício mental complicado:

 Apostar em prestar cuidados quase mínimos a 100 utentes e deixar mais uma vez os 100 utentes sem a qualidade que lhes é merecida ou prestar cuidados de qualidade a 50 utentes deixando os outros 50 de fora, forçando assim a criação de condições para que também esses 50 tenham acesso a essa qualidade.

Pessoalmente revejo-me mais nesta segunda hipótese embora na prática seja mais apologista e praticante de um meio termo (à custa de um grande empenho físico e mental que penso não ser possível manter indefinidamente pelo que o mais provável é que seja mesmo seguidor da 2ª hipótese a longo prazo).

Offline mariamariamaria

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Re: O que é mais importante?
« Responder #3 em: Junho 10, 2008, 21:16:48 »
Olá,

Não se me colocam grandes dilemas em relação à questão; devemos prestar melhores cuidados a menos doentes. Isto tem a ver com a adequação do rácio enfermeiro- doente.

Aquilo que vem a seguir são outras questões:

1- Se tiver 50 doentes e entrar num turno numa Urgência, então temos de os atender a todos, ainda que deficientemente. Em nome da qualidade não podemos deixar doentes morrer à porta do Hospital.

2- A realidade é diferente daquilo que desejaríamos, por isso penso que, na realidade, é melhor prestar os melhores cuidados possíveis em detrimento dos registos de evolução, pois, ao contrário do que o colega Caldas disse, por falha num turno não tem de se começar tudo de novo, pois há colheita de dados e há diário clínico e há uma questão de bom-senso de registar pelo menos as coisas importantes como febres, glicémias, TA anormais, intolerâncias, urgências e todos os acontecimentos que impliquem actuação imediata que tem de ser justificada. Portanto, o colega que vem a seguir não está às cegas. E há sempre a comunicação oral da passagem de turno.

3- Coisas fundamentais como administração de medicação prescrita ou exames , eg, ficam registados em locais diferentes das das notas de evolução e parte-se do princípio que o resto que não ficou registado não sofreu alteração em relação a turnos anteriores.

A questão da visibilidade da actuação da Enfermagem através dor registos é relativa; a não existência de registos escritos poderia ser um factor de fazer valer a importância dos enfermeiros, pois os médicos e outros teriam de andar atrás de nós, com os processos nas mãos, a perguntar o que é que tinha acontecido com o seu doente...

É de facto um assunto complexo, até porque somos obrigados a escrever as notas de evolução.

Abraço.

Offline Mauro Germano

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Re: O que é mais importante?
« Responder #4 em: Junho 13, 2008, 23:26:39 »
A todos os colegas que julgam que os registos não são importantes, lembrem-se de todos os processos judiciais que não correm a nosso favor; lembro também a importância dos registos na qualidade:

Os registos permitem tomar conhecimento da avaliação que o enfermeiro fez da pessoa
- Permitem não perder tempo novamente a colher dados
- Permitem ver o que já foi feito
- Permitem ver o que ainda não foi feito
- Permitem saber o que pode ainda ser feito

Um exemplo: em nome da qualidade... Na dita cuja urgência... já alguém viu um doente sair de lá sem ter a história médica?

Quem registos acham mais pertinentes e que consultam em primeiro lugar se quiserem inteirar-se do panorama? Ao médico ou ao enfermeiro...

Assim não saímos da cepa torta. Valorizar a enfermagem também é isto... Se não se escreve é porque não é importante... Não acham (ironia)?

Reflictam sobre isso...

Offline F_NIGHTINGALE

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Re: O que é mais importante?
« Responder #5 em: Junho 14, 2008, 15:03:51 »
Os registos são um instrumento chave no nosso dia a dia.

Colocar a questão: "se eles são mais importantes que os cuidados?" parece-me uma armadilha.

O que se verifica na prática, é que por falta de recursos humanos, caímos na tentação de fazer mais do que aquilo que registamos. A proposta do Magistral Estratega é lógica (prestar cuidados com qualidade só a metade dos utentes). Porém, presenciar a sua aplicação in loco penso ser bastante penoso.

Tem de haver uma reunião de forças para que passemos a valorizar mais os nossos registos. Isso, sem dúvida! Ordem, sindicatos, conselhos de administração, enfermeiros chefes, docentes... NÓS!

Quanto aos registos mais completos, acho que é uma asneirada o que se verifica na prática: registos de enfermagem repetem grande parte do que vem nos registos médicos. Temos a obrigação de encontrar um local onde se registem as informações que possam ser úteis a ambos. A ideia seria uma fusão de registos médicos e de enfermagem por forma a não haver duplicação de informação, mas respeitando o espaço de cada uma das profissões!

 ^-^

Offline Caldas

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Re: O que é mais importante?
« Responder #6 em: Junho 14, 2008, 20:21:32 »
Do que o colega nightingale disse só queria dizer uma coisa: acerca da fusão entre registos médicos e de enfermagem, parece-me um erro. O importante é não duplicar a informação e tornar a informação partilhável entre as duas equipas. Isto é, articular SAM e SAPE é fundamental, cabendo aos enfermeiros documentar aquilo que realmente fazem e não copiar registos médicos e vice-versa.

Offline Mauro Germano

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Re: O que é mais importante?
« Responder #7 em: Junho 15, 2008, 17:10:06 »
Citação de: F_NIGHTINGALE

Tem de haver uma reunião de forças para que passemos a valorizar mais os nossos registos. Isso, sem dúvida! Ordem, sindicatos, conselhos de administração, enfermeiros chefes, docentes... NÓS!


Colega... Os nossos registos não são mais valorizados se de facto não existir razão para isso. Isto não é uma questão de decretos é uma questão de conteúdo dos registos.

Que pretendemos registar? O que faz com que um registo seja importante, dependendo do ponto de vista:

Para um utente?
Para um médico?
Para um admnistrador?
Para outro enfermeiro?
Para outro qualquer profissional com acesso aos registos?

Para nós? Que género de informação nos ajuda no nosso Cuidar? Que gosta de saber sobre o Doente para o melhor cuidar?

Quando sabemos o que queremos saber sabemos o que devemos escrever.

Offline Caldas

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Re: O que é mais importante?
« Responder #8 em: Junho 15, 2008, 17:15:52 »
Colegas esta temática está a abarcar muito a temática dos Sistemas de Informação em Enfermagem.

Efectivamente é uma área em que teremos de debater e analisar o que é que é fundamental documentar para a prática de enfermagem.

Convidava os colegas a participarem nesse sub-forum.

Offline Son_Goku

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Re: O que é mais importante?
« Responder #9 em: Junho 15, 2008, 22:57:17 »
Tudo é importante, mas os cuidados estão num nível de importãncia superior até porque os registos derivam dois cuidados. Sem cuidados não existem registos, mas os primeiros beneficiam da qualidade dos segundos.

Offline crismarlene

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Re: O que é mais importante?
« Responder #10 em: Junho 16, 2008, 19:53:24 »
Citação de: Son_Goku
Tudo é importante, mas os cuidados estão num nível de importãncia superior até porque os registos derivam dois cuidados. Sem cuidados não existem registos, mas os primeiros beneficiam da qualidade dos segundos.

concordo plenamente, no entanto, os registo permitem assegurar a continuidade dos cuidados, assim como melhorara a comunicação entre os profissionais de saúde, e sem haver registos, a continuidade dos cuidados seria algo mais dificil.

Offline Mauro Germano

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Re: O que é mais importante?
« Responder #11 em: Junho 17, 2008, 17:10:53 »
Obviamente que os Cuidados são mais importantes, é isso que está no propósito da profissão mas...

Contudo não nos podemos esquecer de quão importantes os registos são importantes: O não documentar as situações convenientemente ou de todo, leva a que tantos cuidados sejam  interrompidos, mudados, malinterpretados ou esquecidos.

O que se passa muitas vezes é a sucessiva invenção da Roda e isso acarreta tempo para inventá-la e mais tempo ainda para a fazer... Ou seja, não registar convenientemente leva a que no global se tenha menos tempo para cuidar e pior que isso... Não se cuida tão bem: falta de tempo e falta de registo sobre a melhor opção já tomada.

Para os que são apologistas de que os registos devem ficar sempre em segundo plano face aos cuidados: lembrem-se que teriam de fazer os pensos todos os dias se eles não ficassem registados... Pensem nessa situação e agora pensem em outras semelhantes.

E estamos só a falar ainda de qualidade nos cuidados... Se nos lembrarmos da eficácia destas medidas a nível económico e social... Perdemos aqui 20 anos a falar disso...

Offline mariamariamaria

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Re: O que é mais importante?
« Responder #12 em: Junho 17, 2008, 21:27:27 »
@Magistral,

Apesar de concordar com o racicínio subjacente às tuas afirmações, com as quais concordo em absoluto, mas infelizmente só têm aplicação na teoria... Pergunto:

Quantos doentes tens a teu cargo por turno? Em que serviço trabalhas? O teu  serviço está totalmente informatizado?

Trabalhas efectivamente?

Na minha realidade, com franqueza, isso é uma utopia!

Todos nós fazemos muito mais ao doente do que aquilo que registamos, como enfermeiros. Só temos tempo de registar a nossa defesa em caso de algo correr mal.

Porquê? Porque não temos tempo de "enfermeirar" nos turnos de serviço: há doentes, há prescrições, há rotinas...

Na minha realidade de exercício, presto cuidados em detrimento dos registos. Sou estúpida? Sou inexperiente?

Os registos servem para permitir continuidade de cuidados, defesa e pouco mais. Só quando é para se tramar o enfermeiro é que se lêem os registos de Enfermagem...

Eu estou lá para cuidar da pessoa que me foi confiada. Se o fizer e os registos não reflectirem isso, a minha consciência estará tranquila, ainda que me venham com estupidezes burocráticas (que podem arruinar a carreira de qualauer um) mas não se podem sobrepor a cuidados em boa consciência de exercício.

Abraço.

Offline CCAV

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Re: O que é mais importante?
« Responder #13 em: Junho 17, 2008, 23:25:00 »
Boa noite!

Isto dos registos/cuidados é sempre muito conflituoso...

Se se faz e não se regista, "parece" que não se trabalha... Se se regista e não se faz... o que conta são os registos, e agora eu pergunto: e o doente? pra quem fica esse?!?!?

É tudo muito bonito, quando além de tudo, se tem um serviço em que os doentes que são distribuídos pelos profissionais são em número considerado "aceitável" para se proceder a todos os cuidados;

Quando a equipa multidisciplinar é coesa e integra não faltando efectivos (tanto enfermeiros como auxiliares) o que pode levar à ruptura do serviço ou à sobrecarga de pessoal...

E ainda, por outro lado, quando existe material (leia-se computadores) suficientes para os registos serem efectuados!!!

Assim, acredito, se todas as condições fossem minimamente criadas que iriamos beneficiar em muito com os registos todos muito bem ordenadinhos! :)

Acredito também, que desta forma se pode visualizar e fazer transparecer todo um trabalho que um profissional de enfermagem faz, para que os politicos deste país vejam o quão importantes são os enfermeiros, que somos nós que passamos 24 horas/dia com os doentes e que lhes prestamos todos os cuidados, não somos só enfermeiros pra prestar cuidados de higiene e dar injectáveis!!!  ;) ???

Sei que muitos de nós cada vez mais fazem um esforço para que esse trabalho seja valorizado, mas muitas vezes é de todo impossível, também tenho essa noção!

Mas, "Roma e Pavia não se fizeram num dia!", por isso... havemos de conseguir prestar cada vez melhores cuidados e fazer com que esses cuidados sejam visualizados através das nossas acções!

Abraço!
Se queres um amigo, cativa-o!

Offline Mauro Germano

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Re: O que é mais importante?
« Responder #14 em: Junho 18, 2008, 04:55:00 »
@mariarebelo1

Vou-lhe responder às perguntas por ordem:

Quantos doentes tenho por turno? Posso ter 4 (se estiver num sector); posso ter entre 0 e infinito noutro sector (zero não me parece, a média diária de doentes deve andar à volta dos 550-600, ;

Em que serviço trabalho? Urgência Adultos

O meu serviço está totalmente informatizado?Diria 50 % (100% quando não existir um único papel no serviço); temos Alert, SAPE, SAM, e temos pcs em todas as áreas, infelizmente ainda há coisas que existem em papel: justificação de medicação dispendiosa e de uso limitado inclusive.

Se trabalho efectivamente? Não, senão acha que teria este tempo todo para estar e comentar neste Fórum? lolol ;)

A minha actividade resume-se à intelectualidade e reflexão, por isso é que digo estas coisas sem pés nem cabeça, frutos de teorias, até porque nunca devo ter mexido num doente na vida senão nem poderia dizer o que quer que seja.






Aliás, devemos sempre baixar as orelhas sempre que alguém mais "experiente" diz algo, é porque de certeza tem razão e do alto da nossa arrogância de Jovens não o conseguimos vislumbrar e ainda não podemos atingir tal estado de esclarecimento.

Desculpem este tom altamente sarcástico mas quando alguém se arvora em sapiente de tudo (mesmo sob uma capa de aparente humildade e comedimento nas declarações) podemos ter reacções assim...

Isto dos registos pode parecer uma famosa faca de dois (le)gumes mas na realidade parece-me mais é um círculo vicioso. Por razões já citadas anteriormente,também mas não só por mim, menos registos leva a menor planeamento dos cuidados que por sua vez leva e menor qualidade dos cuidados que por sua vez origina menor ou pior visibilidade que por sua vez leva a diminuição da contratação de enfermeiros assim como das suas condições de trabalho que por sua vez leva a menor tempo para efectuar registos.

Poderia ser caso para pensar: quem surgiu primeiro, o ovo ou a galinha mas como é óbvio o ovo já cá andava na Terra ainda a galinha ainda nem tinha sido imaginada.

Como tal: Para podermos dizer que temos e usamos ciência na Enfermagem esta tem de estar documentada, aliás, sem os registos ou coisas assim aparentadas, a enfermagem nunca teria sequer chegado ao patamar em que estamos hoje ( Florence Nightingale e as suas estatísticas por exemplo).

Mas não... Preferimos continuar a acreditar que a prestação dos cuidados é crucial ( e alguém diz que não é?) em detrimento de tudo o resto.

Deixo aqui a título de exemplo, e é algo que já fiz pelo menos uma dezena de vezes: Acaso um médico quando vê um doente, e vou só reportar-me ao exemplo da Urgência, deixa por registar tudo o que faz, mesmo que a lista de espera esteja longa?
 Não!

Acham que é por malandrice?
Eu não acho. Eu tenho a certeza que é por quererem prestar os melhores serviços aos utentes preservando a qualidade em detrimento da quantidade defeituosa.

Julgam que se levam remorsos para casa? Não e nem têm de levar. Garantiram que os doentes ao seu cargo tiveram a assitência possível. E os registos que fizeram ajudam quem vem a seguir a não duplicar o trabalho. Perdem mais tempo inicialmente mas ganham-no depois. Não nos faltará esta visão a longo prazo?

Espero que este argumento agrade àqueles que tanta estima tÊm por outras classes mas que desvalorizam permanentemente a nossa...

Digam-me: Iriam mais descansados para casa sabendo que fizeram o melhor possível pelos vossos utentes/doentes/pessoas/etc ( e isso implica fazer necessariamente o que é essencial um enfermeiro competente fazer: registos, realização de actos interdependentes e de actos independentes adequados à situação) ou vão para casa com a sensação de que correram o turno todo e não fizeram nada de jeito por absolutamente ninguém em particular, não deixando bases sequer para os que vêm a seguir?

Independentemente das questões éticas, pensemos também nas implicações a nível institucional: Não prestando cuidados de qualidade não temos  possibilidade absolutamente nenhuma de exigir o que quer que seja, e se não tivermos cuidados de qualidade todos perdemos, uns menos (os enfermeiros) outros mais (os doentes)...

Utopia?lololol

Utopia é pensar que fazer o mesmo dia após dia e esperar que isso mude alguma coisa.

Repitamos o que sempre fizemos, esperemos que reparem no suor que nos escorre da testa e tenham pena de nós, às tantas dará resultado...