Forumenfermagem

Autor Tópico: Isto está a aquecer - fragilidades formativas!  (Lida 5356 vezes)

Offline Miguellopes

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Isto está a aquecer - fragilidades formativas!
« em: Maio 10, 2008, 00:42:21 »
Não podia deixar passar em claro este artigo soberbo!

Já imensos colegas me abordaram, preocupados, relativamente a este assunto. É uma autêntica endemia. Arrisco-me a falar sobre ele, mesmo sabendo que este blog também frequentado por inúmeros não-Enfermeiros.

Nos anos mais recentes, a grande maioria dos académicos e da produção de trabalhos de investigação, versa apenas sobre uma das muitas dimensões com que a Enfermagem está relacionada: o âmbito psicossocial! Mas, aparentemente, tem havido constatações que este enigma viral está também a deixar a sua marca nas escolas. O plano de estudos do Curso Superior de Enfermagem está a adoecer vítima de um enviesamento tendencioso no ensino. Não será menos do que o "Cuidar" para o exercício profissional dos Enfermeiros, a farmacologia, a patologia, a microbiologia, a bioquímica, etc.
Para tristeza da classe, verifica-se que a maior parte dos alunos e profissionais recém-formados têm conhecimentos científicos frágeis e pouco especializados em várias vertentes do saber. Quando questionados, a resposta é unânime: "a escola só fala em cuidar, cuidar, cuidar, cuidar e dedica pouco tempo a outras coisas".

Não menosprezando (ou minorar) a importância do "Cuidar" na Enfermagem, penso que este radicalismo psicossocial (numa tentativa não muito sensata de demarcação do modelo biomédico) não é benéfico para a profissão. Existem outras estratégias e quer se queira, quer não, o conhecimento biomédico-farmacológico é inerente/indissociável à Enfermagem, e as novas exigências assim o ditam. Em grande parte é o que os empregadores esperam de nós! Não só, mas também!
É que quando um Enfermeiro que tem dúvidas relativamente à localização do cúbito, não sabe o que é uma agranulocitose ou não percebe nada de farmacologia... meus amigos, desculpem-me a frontalidade mas, alguma coisa anda podre.

É constrangedor quando numa situação de urgência, um médico pede "adenosina" ou um "lanoxin ev" e o Enfermeiro não sabe o que é... ou quando pedem, permanentemente, para traduzir nomenclaturas comerciais em DCI's, começo a deixar de ter fé...
Hoje apanharam-me mal disposto. Quando alguém, informalmente, me perguntou: "se leucopenia era aumento ou diminuição dos leucócitos" (denota falta de conhecimento da terminologia médica).... a "casa" veio abaixo...


P.s. - Estupendo, foi há uns anos atrás, ouvir o Enf. Luís Batalha (hoje, professor na EsenfC - Coimbra; tese de doutoramento "Dor em pediatria: a sensibilização dos profissionais de saúde como contributo na melhoria dos cuidados") dissertar acerca da "dor" - ele era conhecimento científico exímio, ele era intervenção psicossocial, ele era perspectiva holística do ser humano.... enfim, bons profissionais são de referir. Já que se fala de Coimbra, não podia deixar de referir o Enf. Jorge Paulo Leitão (hoje, Enf-Director do CHC), pelo domínio assombroso da cardiologia e do ser humano multi-dimensional...
E como estes, poderia fazer uma lista por esse Portugal fora...


in http://doutorenfermeiro.blogspot.com/2008/05/o-mundo-acadmico-radicalmente.html

Offline nunobatista

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Re: Isto está a aquecer - fragilidades formativas!
« Responder #1 em: Maio 10, 2008, 03:43:13 »
Este artigo dá que pensar! Era bom que todos os docentes das Escolas deste país o lessem!

Offline Mauro Germano

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Re: Isto está a aquecer - fragilidades formativas!
« Responder #2 em: Maio 10, 2008, 04:29:00 »
Os teóricos da Enfermagem que me corrijam mas saber de farmacologia, patologia ou anatomia não nos aproxima mais do modelo biomédico do que se não soubéssemos absolutamente nada. Não é a visão holística uma forma mais completa de abordagem, o que pressupõe que inclui todos os aspectos positivos da visão biomédica mais os aspectos positivos do holismo?

Aliás... O que é ter uma visão biopsicossocial? Não é ter também presente a visão biológica? Então todos esses conhecimentos são necessários ou então qualquer dia corremos o risco de estar a dissertar diante de uma PCR se estamos a cuidar ou a tratar, se aquilo é enfermagem ou outra coisa qualquer, ou a discutir a natureza do corte epistemológico e não sabermos o que é uma seringa.

Sabermos mais de Biologia e tudo relacionado com ela, parece causar algum temor de nos transformarmos em versões diferentes de médicos. Eu sinceramente acho que nos habilita para melhor Cuidar... Não nos torna menos enfermeiros, torna-nos Melhores Enfermeiros...

A enfermagem é o que quisermos fazer dela e é bom que seja algo de vantajoso para os enfermeiros e os seus objectos de acção, os utentes.

Para saber melhor cuidar ( e sinceramente cuidar realmente é uma palavra, um conceito que deve ser usado) é preciso saber fazer também e para isso é preciso saber saber e o resto da lenga lenga, mas que não estando na ponta da língua, deve pelo menos estar incutida, a sua verdadeira significância e não uma interpretação superficial e desfasada da realidade.

Contudo...  e não menosprezando as responsabilidades das escolas na formação dos seus alunos... O que é que os estudantes de enfermagem querem de si? O que fizeram os enfermeiros que os orientaram nos seus ensinos clínicos/estágios para melhorar o panorama? Não terá chegado a altura de assumirmos o problema que está no fundo enraízado em todos nós? Ou a culpa é só de uns? Quando nos tornamos num "deles" será que nos reconhecemos como tal?

Não é como diz o outro... para nos tratarmos não temos primeiro de reconhecer que estamos doentes?


Um pequeno preciosismo... Mas porque deve um enfermeiro saber a designação comercial de um determinado medicamento? É isso que se exige? Ou não é imperativa uma certa isenção? É difícil pronunciar Digoxina em vez de Lanoxin?

Ou terá isto a ver com Tupper ware, kispos, jeeps, polaroids ou coisas semelhantes? Chamar Lanoxin já é isso?

Offline Miguellopes

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Re: Isto está a aquecer - fragilidades formativas!
« Responder #3 em: Maio 10, 2008, 11:13:43 »
"Sabermos mais de Biologia e tudo relacionado com ela, parece causar algum temor de nos transformarmos em versões diferentes de médicos. Eu sinceramente acho que nos habilita para melhor Cuidar... Não nos torna menos enfermeiros, torna-nos Melhores Enfermeiros..."

Isso mesmo!

Guest

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Re: Isto está a aquecer - fragilidades formativas!
« Responder #4 em: Maio 10, 2008, 13:12:33 »
Citação de: Magistral Estratega

Um pequeno preciosismo... Mas porque deve um enfermeiro saber a designação comercial de um determinado medicamento? É isso que se exige? Ou não é imperativa uma certa isenção? É difícil pronunciar Digoxina em vez de Lanoxin?

Ou terá isto a ver com Tupper ware, kispos, jeeps, polaroids ou coisas semelhantes? Chamar Lanoxin já é isso?

Totalmente de acordo... não o podia dizer melhor...

Agora reflectindo.

Sou recém-licenciada e concordo com algumas das situações já referidas.

É muito mau que um estudante não saiba as bases patológicas, farmacológicas, de anatomia ou então que não consiga "chegar lá" pelo fraccionamento dos sufixos e prefixos é mesmo, mesmo muito mau, mas é a realidade... Não quer dizer que isto seja a regra mas cada vez mais está a deixar de ser a excepção...

Falo da minha realidade recente, o problema não é a escola falar só do cuidar, cuidar, cuidar, mas sim, despejar a informação sem ter a preocupação de perceber as dificuldades de cada aluno,pois se antes as turmas eram de 20, 30 alunos hoje são de 80, 90, 100 alunos... Quantidade é difícil combinar com qualidade...

Sim, algo na enfermagem vai podre, mas não se esqueçam, o problema não é só das "maças que chegam frescas, mas sim das que já estão podres no cesto e contaminam..."

Sem dúvida algo na enfermagem vai podre...

Offline Caldas

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Re: Isto está a aquecer - fragilidades formativas!
« Responder #5 em: Maio 10, 2008, 15:10:28 »
Li este tópico a dois dias e a primeira impressão que tive foi, ou digo muita coisa e crítico tudo e todos, ou calo-me. Depois do magistral ter aberto as hostilidades é a minha vez de incendiar um pouco isto.

Será apenas e só a culpa das escolas?
Será que todos nós não temos culpa no dia-a-dia com os nossos actos?

O texto do DoutorEnfermeiro que relata uma situação, ou melhor, várias que se têm passado com ele levanta alguns aspectos. O primeiro que me apraz frisar é a falta de conhecimento dos enfermeiros que recebem os alunos nos campos de ensino clínico/estágio acerca do que estes pretendem e quais os objectivos que os estudantes têm de atingir. Como sabem, estão definidas pela Ordem dos Enfermeiros 96 Competências dos Enfermeiros de Cuidados Gerais. Um aluno quando se desloca para um campo de ensino clínico, isto é, momento de aprendizagem, associação de conhecimentos teóricos à prática clínica e ainda aprendizagem em contexto clínico terá de adquirir determinadas competências. O grande problema desta situação, é quantos dos enfermeiros orientadores recebem a informação de que competências que o estudante vai adquirir? Dos que recebem, quantos transmitem aos seus colegas, quais são essas competências? Será correcto aceitar orientar um aluno em ensino clínico sem conhecer o que é que este vai para lá fazer? Culpa aqui repartida: escolas/enfermeiro.

O segundo aspecto que gostaria de salientar é a desorganização e bipolarização das escolas. Se algumas apenas incidem em aspectos do cuidar, outras apenas incidem em aspectos das ciências biomédicas. Tal como referiu o magistral estratega, para se melhor cuidar é necessário ter conhecimento de todas as ciências de base que servem de apoio à ciência de enfermagem. Não me lembro onde foi que vi isto, mas era um diagrama que continha no centro a enfermagem em forma de balão e depois vários balões com as várias ciências em torno da enfermagem, este primeiro balão era o maior, mas todos os outros o interceptavam. A minha análise deste, é que a enfermagem é a ciência que deve ser o principal foco de atenção do enfermeiro, contudo não pode nunca se dissociar de todas as outras ciências que vão ajudar a sustentar e a potenciar a disciplina da enfermagem. Ou seja, todas as ciências que servem de apoio à enfermagem devem servir de base a esta, contudo o enfermeiro não necessita de as dominar totalmente, precisa sim de saber tudo o que destas é essencial para a sua prática. Neste aspecto faz-me dizer uma expressão velha conhecida que é adaptada a ciência que se queira falar e que tem por base a UNESCO (no documento dos quatro pilares da educação). Quem só sabe de enfermagem, nem de enfermagem sabe.

O terceiro aspecto que gostava de reflectir é acerca do nome comercial de um medicamento. Eu recuso-me a transcrever uma medicação com um nome comercial qualquer que ele seja, existe uma circular da DGS (desculpem o primor de não a citar) que OBRIGA o médico a usar DCI e que como tal, obriga todos os outros profissionais a utilizar esta terminologia. Não é por se estar a combater as viagens e o poder das farmacêuticas. Trata-se apenas de uma forma de podermos utilizar o nosso cérebro para em vez de sabermos todos os nomes comerciais do mesmo principio activo, poder usa-lo para saber mais princípios activos, suas causas, efeitos adversos, tempos de acção. Penso que são lógicas as vantagens da DCI, usar uma linguagem clara, concisa e que todos saibam o que é. Acho que é para isso que existem as linguagens classificadas. Não obstante em situações de urgência achar que se deve agir rapidamente, mas penso que os enfermeiros têm função de charme na sensibilização da utilização desta linguagem. Basta o médico, administre uma formula de lasix, ao que o enfermeiro responde: já esta preparada e administrada 2 c.c. de furosemida E.V.. Se queremos ser tratados como licenciados, temos de nos assumir sempre como tal, isto é, conhecedores das situações e utilizando e dominando aqui para o qual estudamos quatro anos e que nos certifica que somos habilitados a falar, pensar e agir criticamente acerca do conhecimento de enfermagem. Costumo dizer que à farmacologia dou o tempo que considero o adequado, nem faço dela o supra sumo da enfermagem, nem faço dela o parente pobre. Falei em relação a esta ciência de apoio como poderia falar em relação a qualquer uma.

Outro aspecto do qual não me posso excluir de comentar foi o post do Magistral Estratega que enumera algumas questões lógicas e de reflexão e que poderão desmontar o artigo inicial. Se de acordo com todas as organizações internacionais de enfermagem e com as nacionais também, o alvo dos nossos cuidados são a pessoa, família e comunidade, estas têm de ser vistas como detentoras do processo central da nossa actuação. Como tal, a pessoa é um ser biopsicossocial, excluir algumas destas vertentes da nossa atenção estará obviamente a enviesar o foco de atenção e assim sendo, estaremos não a prestar cuidados holísticos mas cuidados parciais, o que nos leva novamente ao paradigma biomédico (em que cada um trata de uma parte).

Tenho de concordam com a afirmação de que a enfermagem é o que quisermos fazer dela, já por isso existem teorias de enfermagem, porque enfermeiros, como qualquer um de nós, dedicaram a sua vida e o seu trabalho a produzir conhecimento acerca do que eles achavam ser o trabalho de enfermagem, a sua sustentação e base teórica, fez com estas fossem ou não aceites. Cada um poderá definir aquilo que acredita ser o caminho para a enfermagem e se o sustentar com uma base cientifica e com um estudo de base próprio, poderá levar a que isso seja aceite pela maioria ou não. Se o conseguir estamos perante uma nova teoria de enfermagem e que poderá substituir ou mesmo complementar as anteriores.

O magistral aponta ainda para a responsabilidade do aluno, que tem um papel fundamental no seu processo de aprendizagem. Eu aprendo o que quero e cada um de nós é assim. Não o neguem, já por isso quando estudavam, tinham áreas que gostavam mais e outras que gostavam menos e dedicavam-se a essas áreas mais ou menos. As escolas e os enfermeiros têm um papel fundamental no aliciar o aluno para aquilo que é relevante para que este dedique o seu estudo. Por exemplo, eu sou orientador de um aluno duma determinada escola que só incide em aspectos técnicos, se eu só der como alvo de aprendizagem a competência técnica, o aluno vai encaminhar toda a sua aprendizagem para este tipo de conhecimento, descuidando todas as outras competências. Porém, se eu incidir em aspectos técnicos, científicos, de conhecimento e de juízo diagnóstico poderei potenciar um aluno que durante a formação escolar apenas teve incidência técnica para uma abordagem mais global e mais acertada da enfermagem. Ou seja, também aí nós temos um papel fundamental de potenciar e abrir horizontes ao conhecimento do estudante.

A quem conseguiu ler isto até ao fim penso que explanará a minha opinião acerca do estado da arte (como dizia uma professora minha). Ou seja, não só as escolas por si as culpadas, mas todos os envolvidos no processo de aprendizagem e de formação. E como diz outro conhecido meu, se não intervirmos nós, alguém inferior irá intervir e serão esses que irão mandar. Por isso reflictam e actuem no dia-a-dia, pois se não o fizerem, outros vão fazê-lo por vocês e poderá nem sempre ser o mais adequado.

Offline Miguellopes

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Re: Isto está a aquecer - fragilidades formativas!
« Responder #6 em: Maio 10, 2008, 19:27:22 »
Mas muitos alunos de enfermagem baldam-se ao conhecimento. Pensam "um dia qd for enfermeiro há-de lá estar um médico e ele sabe, por isso escuso de estudar e isso é mau. Há alunos de medicina que pensam o mesmo com o argumento que hão-de lá estar outros médicos e alguém há-de saber...
Não há uma verdadeira responsabilização dos enfermeiros. Se souberes poco de ciência fazes o teu trabalho como alguém que sabe mesmo muito, o que demonstra a complexidade de algumas actividades dos enfermeiros.

Offline Big

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Re: Isto está a aquecer - fragilidades formativas!
« Responder #7 em: Maio 10, 2008, 19:38:53 »
Citação de: Miguellopes
P.s. - .... enfim, bons profissionais são de referir. Já que se fala de Coimbra, não podia deixar de referir o Enf. Jorge Paulo Leitão (hoje, Enf-Director do CHC), pelo domínio assombroso da cardiologia e do ser humano multi-dimensional...
E como estes, poderia fazer uma lista por esse Portugal fora...


in http://doutorenfermeiro.blogspot.com/2008/05/o-mundo-acadmico-radicalmente.html

Tal era o dominio que nos cursos feitos pelo INEM (Coimbra) em Suporte Avançado de Vida para médicos e enfermeiros, na componente de electrofisiologia cardíaca, desfibrilhação, pacemakers, identificação de ritmos, etc, etc, quando estava disponivel e era formador, era sempre o Jorge Leitão que dava as cartas e brilhava. Mas como diz o Doutor Enfermeiro, a fazer-se uma lista por este Portugal fora, seria enorme...

Offline Caldas

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Re: Isto está a aquecer - fragilidades formativas!
« Responder #8 em: Maio 10, 2008, 20:05:15 »
MiguelLopes e quantos são os enfermeiros que vendo essas atitudes dos alunos os passam? Porque é que neste país chumbar alguém parece um mito?

Big se a lista é enorme só mostra que os enfermeiros têm capacidade para serem competentes e são. Falta é mostra-lo a todos. E isso é nossa tarefa, não dos outros...

Offline Son_Goku

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Re: Isto está a aquecer - fragilidades formativas!
« Responder #9 em: Maio 10, 2008, 20:10:54 »
Infelizmente cerca de 90% dos enfermeriros têm conhecimentos de amador ao nível de anatomia, fisiologia, farmacologia, etc. E isto Reflete-se na capacidade francamente limitada de decisão clínica que assola a nosa profissão. Mas o mal não está só nas escolas: também alastra para a esfera do exercício. Quais são os meios que os profissionais de Enfermagem usam para se manterem actualizados ao nível dos conhecimentos? Na maioria dos caos esse meio tem um nome: MÉDICO...Por isso é que a maioria da nossa classe se mantém no nível básico do conhecimento, que de tão básico que é nem chega a ser científico!

Offline Miguellopes

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Re: Isto está a aquecer - fragilidades formativas!
« Responder #10 em: Maio 10, 2008, 21:44:07 »
"Quais são os meios que os profissionais de Enfermagem usam para se manterem actualizados ao nível dos conhecimentos? "

E agora com o excesso de enfermeiros, os vencimentos são tão baixos que não é possível ir a formações ou a congressos. Não há dinheiro.

Offline Son_Goku

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Re: Isto está a aquecer - fragilidades formativas!
« Responder #11 em: Maio 10, 2008, 21:51:29 »
Citação de: Miguellopes

E agora com o excesso de enfermeiros, os vencimentos são tão baixos que não é possível ir a formações ou a congressos. Não há dinheiro.

Ora, parabéns à Ordem, que fala tanto de qualidade e que  parece querer que com o ordenado mínimo que muitos Enfermeiros  auferem estes tirem dois ou três doutoramentos.
A Ordem pense neste silogismo...sem dinheiro não há formação e sem formação não há qualidade. A Ordem diz que a razão da sua existência é a qualidade. Conclusão: neste momento a qualidade é impossível, logo a Ordem não é precisa!

Offline pedrojosesilva

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Re: Isto está a aquecer - fragilidades formativas!
« Responder #12 em: Maio 10, 2008, 23:17:39 »
Mudei o tópico para a secção de formação do Fórum.

Citar
Arrisco-me a falar sobre ele, mesmo sabendo que este blog também frequentado por inúmeros não-Enfermeiros.

Colegas, lembrem-se que o fórum também é acessível ao cidadão comum, que pode ficar melindrado com algumas afirmações feitas

Quanto à natureza da formação, concordo que não se deve colocar todos os ovos no cesto do papel psicosocial, como se fosse o destino e a essência da profissão.

Esta maneira de pensar uma profissão e a sua correspondência a uma disciplina cientifica totalmente delimitada das outras, é algo que me parece ultrapassado. E faz confusão,pois o paradigma cientifico do Cuidar, é algo que é recente e não será exclusivo dos enfermeiros.
Torna-se difícil tentar reclamar a "patente do conhecimento" para uma dada profissão, devido à fluidez e dinâmica da produção, divulgação e legitimação do trabalho cientifico.

Espera-se dos enfermeiros o desenvolvimento de conhecimento novo que os ajudem a lidar com a complexidade social e individual dos cuidados de saúde, mas não se espera que esse conhecimento seja únicamente psicosocial.

Por outro lado, dizer que a formação dos enfermeiros é da exclusiva responsabilidade das escolas,é diminuir aquilo que é a responsabilidade que os enfermeiros nos seus serviços e respectivos chefes devem ter.
Responsabilidade é saber dizer Não!

Dizer Não! às condições medíocres de aprendizagem provocadas pela massificação descontrolada do ensino. E existem muitos exemplos dessa mediocridade corporizada em autênticos atentados á inteligência dos alunos, que se deparam com "UMA ESPECIE DE ESTÁGIO" que serve para despachar mais um grupo de 10 ou 12 alunos, a rapinar por um espaço na sala de trabalho para preparar a medicação dos doentes.
Que ensino é este que nem sequer respeita o principio mais básico da segurança dos cuidados.
Onde está o principio do cuidar na defesa dos percursos formativos e laborais dos nossos futuros colegas???

Offline Enf_SH

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Re: Isto está a aquecer - fragilidades formativas!
« Responder #13 em: Maio 20, 2008, 04:30:26 »
Nos dias que correm os alunos de enfermagem são cada vez mais medíocres, porque vêm nas intervenções de enfermagem um saber empírico que advém unica e exclusivamente da prática!!

NAO SE ESTUDA!!Conhece-se pela rama a meta da acção mas os passos minuciosos do caminho são esquecidos porque dá trabalho!!

Fui aluno, como todos vós, e a atitude displacente com que a maioria dos meus colegas enfrentava o curso era medonha e fazia pensar:
Será que quero ser doente deste colega??
Será concerteza mais um "tarefeiro da medicina"...uma máquina de cumprir prescrições...

Sim...MÁQUINA DE CUMPRIR PRESCRIÇÕES é um termo bem aplicado a muitos dos alunos formados!!

A maioria das escolas opta por um modelo psicossocial de enfermagem, mas passa pelo aluno ir mais longe e conhecer mais e lutar por um conhecimento que lhe permita julgamentos asertivos e correctos com base científica!

Pegando na metáfora da fruta: no cesto de fruta da enfermagem só apodrece quem quer!

CUMPS
Somos aquilo que fazemos consistentemente...Assim a excelência não é um acto mas um hábito!

Offline Lipa85

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Re: Isto está a aquecer - fragilidades formativas!
« Responder #14 em: Maio 20, 2008, 12:46:45 »
Caros Colegas...

Há menos de um ano ainda estava no papel $e aluna, duma escola que considero boa e cujos estágios proporcionados tinham um mínimo de qualidade...
Ainda assim concordo que a maioria dos conhecimentos que hoje possuo (e não aqueles que decorei de véspera p os exames) foram adquiridos durante os ensinos clínicos, durante a prática...sim...porque a nossa profissão já tem muito de ciência e teoria, mas tb ainda é uma arte e uma profissão muito prática.

Qt ao investir na formação tb concordo que com os ordenados actuais seja dificil, mas por incrivel que pareça, o que verifiquei ao longo dos meus estágios é que eram exactamente os mais novos, e os que recebiam menos ao fim do mês, aqueles que mais investiam na sua formação. Acredito que hj, mais do que nunca, a formação tem que ser feita por nós e para nós, porque parece que ninguém reconhece o esforço nem nos paga mais por isso...logo...tem que partir mesmo de nós a decisão de estudar e de disponibilizar tempo e dinheiro.

Pessoalmente, estando desempregada, tenho ido a algumas formações e congresoss, mas admito que isso não me ajudou absolutamente nada a conseguir um emprego...até agr ninguém ligou ao facto de ter passado os últimos meses a investir em formação profissional...mas faço-a por três razões: Porque gosto de estar constantemente aprender, porque quero relembrar os conhecimentos que adquiri em 4 anos de curso para n os esquecer e, sobretudo, porque os meus pais têem a possibilidade de me pagar essas formações.

Espero que um dia venha a ser profissional, e espero que qd esse dia chegar continue com a vontade de aprender que tenho hj, quer com colegas mais experientes, quer com formações. Infelizmente há alguns enfermeiros que dp de "instalados" parecem esquecer-se que a ciencia evolui, e com ela as técnicas e a forma de estar numa profissão. Vá lá que ainda há outro tipo de exemplos...é com esses que nós, os mais novos, devemos aprender a ser enfermeiros.