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segunda, 11 agosto 2014 16:58

Dois em cada três enfermeiros apresentam sintomas de esgotamento

Estudo da Católica revela que enfermeiros portugueses sofrem de exaustão emocional e que 25% dos cuidados ficam por realizar

Dois em cada três enfermeiros apresentam valores elevados de exaustão emocional (sintomas de esgotamento). Essa é uma das conclusões do estudo da Nurse Forecasting in Europe” (RN4Cast), liderado pelo Instituto de Ciências da Saúde da Católica Porto, e que segue o modelo da investigação já realizada em 12 países da União Europeia, nos Estados Unidos e na China.

A pesquisa, realizada entre Outubro de 2013 e Abril de 2014, partiu da participação de uma amostra de 2235 enfermeiros e 2254 utentes (internados por um período superior a três dias) de hospitais de todo o continente e regiões autónomas para avaliar os ambientes de trabalho e cuidados de enfermagem em Portugal.

De acordo com a análise, 68% dos hospitais não oferece recursos adequados para um ambiente de trabalho favorável à prática da enfermagem e 25% dos cuidados ficam por realizar, mesmo quando um terço dos enfermeiros trabalha além do seu turno.

Entre esses cuidados estão, por exemplo, tarefas relacionadas com o apoio emocional aos pacientes e familiares. Segundo o estudo, mais de metade dos profissionais inquiridos revela falta tempo para confortar e falar com os doentes e famílias e para os ensinar e preparar para a alta hospitalar.

Perto de metade (48%) classifica o serviço, em termos de segurança dos pacientes, como aceitável, sendo apenas 3,5 % aqueles que atribuem nota excelente e 14% aqueles que recomendariam, sem reservas, a unidade hospitalar em que trabalham a familiares e amigos.

No final de Junho deste ano, os enfermeiros do Hospital de Santarém alertavam para a sobrecarga horária e para a exaustão dos profissionais, face à diminuição do número de enfermeiros naquela unidade hospitalar. A situação, denunciou o sindicato, pode levar ao risco de ruptura do serviço e aumentar “significativamente o risco de negligência e morte dos utentes".

"Os enfermeiros nunca estão realmente de folga, tal como a lei obriga. O não ter as pausas para recuperar física e psicologicamente, leva estes profissionais a um cansaço extremo. Os enfermeiros não têm vida familiar", advertiu, na altura, a direcção-regional de Santarém do Sindicato dos Enfermeiros.

Os enfermeiros do Hospital de Santarém convocaram uma greve para de quatro dias para 19, 20, 21 e 22 Agosto, onde reivindicam a admissão de mais enfermeiros, condições de trabalho que permita o gozo dos direitos (folgas) e prestações de cuidados em segurança e adequação dos tempos de descanso.

FONTE: http://bit.ly/XXmEfL

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