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quinta, 31 julho 2014 19:36

Estudantes de medicina estrangeiros enriquecem formação através de intercâmbios em Portugal

Uma dinâmica preparada "por alunos para alunos".

É assim que o presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) classifica os intercâmbios que acontecem por todo o mundo entre faculdades de medicina em período de férias. Esta quinta-feira terminou o estágio dos alunos estrangeiros no Centro Hospitalar da Cova da Beira, que teve a duração de quatro semanas.

O presidente da ANEM realça a troca de experiências profissionais e culturais que aconteceram por estes dias. "No almoço de encerramento, tive oportunidade de perceber a troca de impressões que aconteceram, não só entre os vários alunos, mas também entre os quadros do Centro Hospitalar e os estudantes dos restantes países, no que diz respeito às realidades profissionais", conta Duarte Sequeira ao Expresso. 

Os intercâmbios acontecem durante o ano, em épocas de interrupção das atividades letivas e têm duas vertentes: clínica, onde os alunos contactam com a realidade hospitalar, e científica, que acontece nas faculdades envolvidas, num âmbito de investigação laboratorial. Estas experiências extracurriculares são organizadas numa primeira fase pela Federação Internacional de Associações de Estudantes de Medicina (IFMSA, em inglês), onde se reúnem todas as associações nacionais dos alunos da área, e, numa última fase, o processo é concretizado pelas associações de estudantes de medicina de cada faculdade envolvida.

Marjolein Linders, estudante de medicina holandesa, e Fabricio Vatta, estudante italiano, estiveram este mês nas unidades de ginecologia/obstetrícia e pediatria no Centro Hospitalar da Cova da Beira e são firmes nos elogios às metodologias de estágio. A oportunidade de executar tarefas é um dos pontos que mais sublinham: "aprendemos muito mais da realidade do que nos livros", argumentam. 

Marjolein, no terceiro ano de licenciatura, refere o acolhimento da "pequena cidade" da Covilhã e a simpatia de todos os profissionais com que se cruzou como alguns dos aspetos que tornaram esta experiência enriquecedora. "Aprendi muito sobre a área de estudos e a experiência intercultural foi bastante enriquecedora a nível pessoal."

Fabricio está no quinto ano de Medicina, a um ano de terminar o curso no seu país, e esta é a primeira experiência de intercâmbio. O aluno esteve na unidade de pediatria e diz-se bem impressionado pela forma como foi integrado na equipa. "Em Itália costumamos ter um médico a explicar para a turma inteira. Aqui pude esclarecer as minhas dúvidas com mais calma e pude acompanhar mais de perto os procedimentos."

"As pessoas dos outros países apreciam muito a franqueza e a abertura demonstrada pelos profissionais portugueses", afirma o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar da Cova da Beira, Miguel Castelo-Branco, que confirma o feedback positivo que recebeu dos alunos acolhidos nesta unidade hospitalar.

Às faculdades portuguesas chegam alunos de todo o mundo, com especial afluência da Europa de Leste. A ANEM foi criada há mais de vinte anos com o objetivo de fazer estas pontes para os intercâmbios.

Estes estágios têm a duração de 4 semanas, em que os alunos fazem 4 a 5 horas de estágio diárias em dias úteis, com alojamento e refeições garantidas pelas associações de estudantes de acolhimento.

Às faculdades do resto do mundo chegam também alunos portugueses, ao abrigo de acordos bilaterais ou, esporadicamente, unilaterais. Este ano foram integrados cerca de 150 estudantes portugueses nestes intercâmbios internacionais. Pelo mundo, movimentam-se cerca de 10 mil alunos por ano ao abrigo destes acordos entre associações nacionais de estudantes de medicina.

FONTE: http://bit.ly/UOx8Ma

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