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terça, 29 abril 2014 17:24

Secretário de Estado defende que “sem boa saúde não há boa economia”


Mais uma do Governo mais "liberal" de sempre...
O secretário de Estado acha que é dar prioridade à saúde aumentar ainda mais as taxas sobre determinados alimentos. 
Ora isto encerra toda uma tendência totalitária, paternalista, bacoca e absurda senão vejamos:

O que é um alimento nocivo? Como se define?

Será melhor aumentar os impostos naquilo que Ele considera ser nocivo OU baixar os impostos nos alimentos que Ele considera ser benéficos?

Serão os enchidos, chocolate, refrigerantes, carne de porco, de vaca, batatas, pão, vinho, etc etc?

Devem os diabéticos pagarem mais impostos cada vez que comprarem algo com mais glícidos que o "recomendado"?

Deve um desportista pagar por fazer exercício além do recomendado podendo fracturar um osso ou danificar uma articulação ou músculo?

Deve um hipertenso ser impedido de comer o que quer que seja que tenha sal?

Deve um insuficiente renal crónico em programa de diálise ser impedido de comer o que quer que seja com potássio?

Deve a minha entidade patronal pagar mais em impostos pelos níveis de stress que me provoca a trabalhar ou pelos riscos a que estou submetido ?

Deve um fumador pagar pelo tabaco mas um heroinómano ter acesso gratuito a metadona?

 

A adesão àquilo que Hoje ( o relativismo é importante na Ciência dado que hoje algo pode ser verdade e amanhã ser mentira, principalmente no que a Ciência Humanas diz respeito) é considerado saudável deve ser voluntária até porque as consequências do comportamento são principalmente para o próprio.

Por outro lado argumentar que isso é melhor para o Estado( nitidamente totalitária esta concepção) é renegar a essência humana, em que cada vida é um valor em si mesmo e em que os utilitarismos são muito perigosos, levando por vezes ao sacrifício de muitos em prol do "bem comum" o que quer que isso seja nesta definição absurda.

E ainda... "Obesos e fumadores custam menos": http://www.plosmedicine.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pmed.0050029


Porque as preocupações não devem ser acerca do impacto financeiro até porque nesse caso a medida está completamente errada, mas sim sob a perspectiva de bem-estar e qualidade de vida e aqui a questão é que sendo voluntária e livre a pessoa sentir-se-á melhor e mais saudável.

E já agora, pagar os subsídios de desemprego a todos os portugueses que produzem "coisas" nocivas para a saúde , nomeadamente doces conventuais, enchidos, vinho e essas coisas "más" dado que é bom para a economia. Com certeza que ficarão mais saudáveis não tendo como ganhar o seu sustento.
Não terão o que comer mas terão a consciência tranquila de não terem fabricado nada que faça mal à saúde...

 

E também uma formação extra ao secretário de Estado para ele aprofundar o seu conceito de Saúde( que não é apenas biológica mas psicossocial) e tudo o que isso acarreta na perspectiva da vida das pessoas.

Volta Salazar que estás perdoado ! Agora sob o manto da Democracia, temos ditadores mais eficazes.

NOTA do Editor: Mauro Rosa


"Secretário de Estado da Saúde acusa ministros da Economia e da Agricultura de persistirem em “políticas que perpetuam agressões ao bem-estar das pessoas”.

Fernando Leal da Costa respondeu esta terça-feira aos seus colegas de Governo e ministros do CDS que criticaram a possibilidade de se taxarem produtos alimentares nocivos para a saúde.

Fernando Leal da Costa respondeu esta terça-feira aos seus colegas de Governo e ministros do CDS que criticaram a possibilidade de se taxarem produtos alimentares nocivos para a saúde. Num artigo de opinião, Fernando Leal da Costa, cita vários estudos internacionais e sustenta a relação entre uma população saudável e o crescimento da economia. “Sem boa saúde não há boa economia e as desigualdades acentuam-se”, escreve o governante no PÚBLICO.

Leal da Costa aponta mesmo o dedo a todos os governantes – actuais e anteriores – como uma das razões para o Serviço Nacional de Saúde não fazer mais na prevenção de doenças: “Se mais ainda não foi feito, isso é também devido ao facto do público não estar informado, de existirem resistências bem entrincheiradas, e de uma parte dos decisores políticos ainda não ter incorporado a importância da diminuição da carga da doença na população, como factor gerador de uma sociedade saudável, condição também decisiva para a economia de Portugal.”

O governante acrescenta ainda que qualquer um dos seus colegas de Governo tem responsabilidades perante o bem-estar dos portugueses, independentemente da pasta que ocupem. “O Governo, no seu todo, é responsável pela saúde da população, independentemente da esfera aparentemente limitada a cada ministro”, defende.

O secretário de Estado insinua ainda no texto intitulado "O saber não ocupa espaço" que o que está por trás das reticências centristas tem que ver com cálculos eleitoralistas: "Estas medidas têm custos políticos que necessitam de vontade política para serem ultrpassados."

O PÚBLICO tentou obter uma reacção da parte do CDS. Ninguém quis assumir abertamente uma resposta, mas um dirigente do CDS comentou: "O saber não ocupa espaço, a arrogância ocupa muita".

Mas o secretário de Estado visa mesmo, directamente, dois dos seus colegas de Governo que se manifestaram abertamente contra a medida. “É errado invocar a economia para justificar a persistência de políticas que perpetuam agressões ao bem-estar das pessoas”, acusa Leal da Costa. Uma resposta ao ministro da Economia, Pires de Lima, que há dias, reagiu às notícias falando de uma “ficção”: “Não há taxa. É uma ficção, um fantasma que nunca foi discutido em Conselho de Ministros e cuja especulação só prejudica o funcionamento da economia.”

A ministra da Agricultura também teve réplica. “A indústria agro-alimentar é sempre beneficiada quando se defende o maior consumo de fruta, de sumos naturais ou de saladas temperadas com azeite e limão”, escreveu Leal da Costa.

Um tiro directo a Assunção Cristas. Que há dias também se manifestara contra. “Posso dizer que essa matéria não foi discutida no Conselho de Ministros e, portanto, eu creio que não vale a pena estarmos a falar sobre aquilo que, na minha perspectiva, é, neste momento, uma não questão”, desvalorizou então Assunção Cristas.

O vice-primeiro-ministro e líder do CDS, Paulo Portas, comentou também a possibilidade. De uma forma mais diplomática que os seus ministros deu a entender que estava contra o alcance pretendido pela equipa do ministério da Saúde. No passado dia 21 de Abril, numa comissão parlamentar, Portas assegurou que o esforço que o Governo terá de fazer na área da saúde "para saldar contas" e obter "equilíbrios no futuro" será compensado "através de uma redução de rendas na indústria fornecedora de medicamentos e também na área da tributação do tabaco e do álcool"."

http://www.publico.pt/politica/noticia/secretario-de-estado-defende-que-sem-boa-saude-nao-ha-boa-economia-1633992

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