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domingo, 02 fevereiro 2014 19:38

Morrem mais pessoas por negligência do que na estrada

O advogado e professor de Direito Administrativo Luís Fábrica diz que as instituições e os profissionais de saúde tendem a esconder dados.

Morrem mais pessoas nos hospitais, por más práticas médicas, do que nas estradas, por acidentes de viação.

A conclusão é do investigador da Faculdade de Direito de Coimbra, André Dias Pereira, que acaba de apresentar uma tese de doutoramento sobre responsabilidade médica.

“Os médicos sabem bem dos problemas que existem, O professor Luís Fragata fala em estimativas por baixo de 1000 a 1200 mortes evitáveis por ano. Recordo que morrem menos de 700 pessoas por ano nas estradas, ou seja, morrem mais pessoas nos hospitais, de morte evitável, do que nas estradas.”

A dificuldade está em provar a maior parte das queixas. O advogado e professor de Direito Administrativo Luís Fábrica diz que as instituições e os profissionais de saúde tendem a esconder dados.

Os doentes estariam melhor protegidos se, tal como acontece para os acidentes de viação, houvesse um seguro que indemnizasse o lesado, independentemente da culpa do médico.

“A ideia de que se vai fazer uma atitude justiceira não leva a lado nenhum. As estatísticas demonstram que é extremamente difícil provar a culpa ou o nexo de causalidade. Melhor seria se passássemos para um sistema de responsabilidade objectiva, isto é, responsabilidade independentemente de culpa. Isto é, houve uma coisa que ocorreu e que não devia ter ocorrido. Muito bem, vamos indemnizar a pessoa”, considera.

Comentários feitos no programa “Em Nome da Lei”, moderado por Marina Pimentel, que é emitido a seguir ao noticiário das 12h00, aos sábados.

http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=79&did=137669

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