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segunda, 23 dezembro 2013 00:28

Trabalhadores da Linha Saúde 24 contestam coação e imposição de cortes salariais

 

Um grupo de trabalhadores da Linha Saúde 24 acusa a administração da linha de impor uma redução de salários aos trabalhadores e de ameaçar com a sua substituição caso não aceitem o corte pretendido.

 

Em declarações à agência Lusa, o enfermeiro Tiago Pinheiro, da comissão informal de comunicadores da Linha Saúde 24 - Linha de Cuidados de Saúde (LCS), disse que a empresa concessionária decidiu "impor unilateralmente" uma redução de cerca de 20% da remuneração, que passará a rondar os 4 a 5 euros/hora (valor líquido).

Tiago Pinheiro adiantou que a administração da linha, gerida agora pelo consórcio Optimus e Teleperformance, propõe ainda um corte de 50% na remuneração das horas diurnas especiais e nas horas nocturnas.

Este grupo de trabalhadores já entregou à administração um documento reivindicativo para negociar os salários e uma queixa à Autoridade para as Condições de Trabalho por falso trabalho a recibos verdes.

Hoje, após uma reunião com elementos da Direcção-Geral da Saúde, responsável pela qualidade da linha, Tiago Pinheiro disse que a administração pretende agora substituir os trabalhadores.

"A resposta da LCS tem sido a de ameaça de substituição dos comunicadores que recusem a alteração de remuneração. O funcionamento da linha está em risco perante a ameaça de rescisão da empresa para com os cerca de 75% que refutam as condições apresentadas", refere um comunicado divulgado por este grupo de trabalhadores da linha.

Para Tiago Pinheiro, a qualidade do atendimento na Linha Saúde 24 vai ser posta em causa no caso de se concretizar a saída dos trabalhadores mais experientes.

"A nossa principal preocupação é o serviço público que é prestado, que é assegurado por enfermeiros com vínculo totalmente precário. Além disso, corre agora o risco de perder grande parte dos comunicadores actuais", comentou.

No início desta semana, o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda remeteu uma pergunta ao Ministério da Saúde, considerando que a redução salarial pretendida "materializa uma prática abusiva por parte da entidade patronal".

"É de coação que se trata, uma vez que está a ser dito aos trabalhadores que, quem não aceitar a redução, será dispensado. Refira-se que muitos destes trabalhadores exercem funções em condições contratuais precárias há anos", indica o texto da pergunta enviada ao Ministério da Saúde.

Na Linha Saúde 24 trabalham cerca de 400 enfermeiros.

 

http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=95321

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