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terça, 05 novembro 2013 23:52

Falta de pessoal contribui mais para infecções do que anéis de médicos, diz OM

A Ordem dos Médicos considera que as críticas ao uso de anéis, pulseiras e gravatas por parte dos médicos são afirmações “avulsas e absurdas” e atribui as infecções hospitalares a outras causas como a falta de pessoal.

Na passada quinta-feira, o secretário de Estado e Adjunto da Saúde disse, durante a apresentação de um relatório sobre infecções e resistência aos antimicrobianos, que o Governo admitia a proibição dos médicos usarem anéis, pulseiras, alianças ou gravatas.

Há um conjunto de instrumentos – anéis, pulseiras, alianças – que “sabemos que são potenciais veículos de transmissão”, com os quais “as minhas colegas insistem, muito alindadas, em ir trabalhar”, disse Fernando Leal da Costa.

A afirmação não caiu bem à Ordem dos Médicos (OM), para quem “enfatizar os anéis, as pulseiras, as gravatas e os estetoscópios como co-responsáveis principais da elevada taxa de infecções hospitalares em Portugal é impróprio de um alto dignitário do Ministério da Saúde, particularmente quando o acto é acompanhado de comentários brejeiros”.

A Ordem dos Médicos rejeita “meras afirmações avulsas, absurdas e despropositadas, alijadoras das responsabilidades do Ministério da Saúde e que nada de construtivo ou consequente acrescentam a esta gravíssima problemática”, lê-se num comunicado.

Para a Ordem, existem alguns problemas “bem mais graves do que anéis e gravatas e que em muito contribuem para o panorama português quanto à utilização de antibióticos e à taxa de infecções hospitalares, com particulares responsabilidades para o Ministério da Saúde e o Governo”.

Entre os problemas avançados pela OM está a “não-contratação de recursos humanos suficientes para hospitais, nomeadamente enfermeiros e auxiliares, o que corrompe a qualidade dos cuidados prestados.

Também a “inadequada limpeza e higienização dos hospitais, incluindo os sistemas de ventilação” e a existência de “instalações inapropriadas, envelhecidas e obsoletas”, bem como as “distâncias entre camas hospitalares que não respeitam regras de segurança” são indicados pela Ordem como problemas mais graves do que os anéis, as pulseiras e as gravatas dos médicos.

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/falta-de-pessoal-contribui-mais-para-infeccoes-do-que-aneis-e-pulseiras-de-medicos-diz-ordem-1611448

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