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domingo, 27 outubro 2013 17:09

Hospital da Cruz Vermelha sobreviverá sem acordo com o Estado

 O presidente da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) garantiu hoje que o Hospital da Cruz Vermelha tem capacidade para sobreviver se o Estado desistir do acordo, embora considere que tal aumentaria as listas de espera.

Em entrevista à agência Lusa, Luís Barbosa disse discordar das conclusões de um relatório do Tribunal de Contas, o qual concluiu que o Estado teria poupado 30 milhões de euros se os doentes encaminhados para o Hospital da Cruz Vermelha (HCV), entre 2009 e 2011, tivessem sido tratados no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

"É uma opinião, com a qual não posso estar de acordo", disse, ressalvando que o documento "não é a opinião do Tribunal de Contas, mas sim de um auditor".

Luís Barbosa recorda que a sociedade gestora tem a participação de 45 por cento do Estado e que se destina a ter uma actividade complementar do SNS.

"Recebi em tempos um telefonema de um ministro da Saúde da época, que não o actual, dizendo estar aflito com uma lista de espera em matéria de oftalmologia" e a pedir o apoio da CVP, contou.

Passadas umas semanas, acrescentou, "tínhamos uma equipa para fazer 6.000 consultas e 3.000 cirurgias".

Para Luís Barbosa, as 120 mil consultas e 16 mil cirurgias realizadas no HCV, representou que, "em certas áreas, as listas de espera são altamente penosas para os doentes".

"A capacidade instalada é uma teoria. Tem de reflectir-se no número de intervenções que se faz. Se eu tenho uma lista de espera é porque a capacidade instalada não tem a resposta suficiente. E a lista de espera é risco", adiantou.

Questionado sobre a hipótese do Ministério da Saúde desistir do acordo com o HCV, Luís Barbosa garantiu que a instituição tem um "plano B".

"Temos vindo a abrir o nosso trabalho a outras estruturas. Temos uma equipa de cirurgia cardiotorácica pediátrica em Angola, 40 doentes líbios e vão vir mais. Abrimos às seguradoras e outras entidades. Trabalhamos mais com a ADSE. Há também uma ligação às Forças Armadas".

Enquanto isso, a CVP está a ponderar a hipótese da instituição candidatar-se à gestão das Unidades de Saúde Familiar (USF), através do modelo C que a legislação permite.

Lusa/SOL

http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=89084

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