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sábado, 12 outubro 2013 21:47

Portugueses querem morrer em casa

Apesar da preferência mais comum entre os portugueses ser morrer em casa - 51% dos inquiridos manifestaram esse desejo - a maior parte das pessoas acaba por morrer em hospitais.

Todos os anos morrem cerca de 100 mil pessoas em Portugal, 62% das quais em hospitais ou clínicas e menos de um terço no domicílio (30%), revela um relatório publicado pelo King’s College London em colaboração com o Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra (CEISUC).

O estudo, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, assinala o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos e defende que desenvolvimento dos cuidados paliativos domiciliários deve ser considerado uma prioridade nacional em saúde.

A equipa de investigação conduziu uma análise de dados recolhidos por inquérito nacional sobre preferências para local de morte e registos oficiais de óbitos, envolvendo 106.757 pessoas com mais de 16 anos em Portugal continental e ilhas e concluiu que “existe um claro desfasamento entre o sítio onde se prefere morrer e o sítio onde realmente se morre em Portugal, e isso que acontece em todas as regiões do país, em maior ou menor grau”, explica a autora principal, Bárbara Gomes.

Por isso, defende a investigadora, “precisamos de uma estratégia nacional concertada para assegurar que os desejos das pessoas são concretizados, com a máxima qualidade de vida e de cuidados possíveis”.

Vontade aumenta com a idade

O estudo revela ainda que a importância atribuída a morrer no sítio que se quer aumenta com a idade: 48% das pessoas com 75 anos ou mais acham que este aspecto é mais importante do que receber informação e do que escolher quem toma decisões sobre os cuidados a prestar em fim de vida, enquanto que apenas 20% das pessoas entre os 16 e os 34 anos tem essa convicção. A preferência por morrer em casa aumenta também com a idade, sendo máxima (65%) no grupo com 75 anos ou mais.

O relatório recomenda uma estratégia integrada para o desenvolvimento de equipas especializadas em cuidados paliativos domiciliários, assente numa colaboração forte entre Ministério da Saúde e organizações não-governamentais. “É preciso desfazer o mito de que só é possível receber cuidados paliativos no hospital”, diz Bárbara Gomes. “Estes cuidados especializados podem ser prestados nos vários locais onde as pessoas estão e querem estar. Em Portugal, existem 9 a 14 equipas de cuidados paliativos domiciliários a apoiar doentes e famílias em casa. Precisamos urgentemente de mais equipas, de forma a assegurar o respeito pelo direito de morrer com dignidade em casa quando assim desejado”.

http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=87837

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