Social:
sábado, 05 outubro 2013 01:42

Prevenção Rodoviária defende aumento da velocidade

No dia em que Espanha aprovou o aumento da velocidade máxima para os 130 km/h, o presidente da Prevenção Rodoviária defende a aplicação da medida em Portugal. 

O presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) defende um aumento da velocidade máxima para os 130 km/h, em determinados troços das autoestradas, à imagem da medida que o Governo Espanhol aprovou hoje em Conselho de Ministros.

"Existem nas autoestradas alguns troços que possibilitam velocidades superiores a 120 quilómetros por hora e outros em que a velocidade máxima deveria ser inferior, mas não é. Há troços onde está garantida a segurança a 130 km por hora e outros onde isso não acontece", disse ao Expresso José Manuel Trigoso.

"Atualmente, nas autoestradas portuguesas o controlo só é feito a partir dos 150 km/h (30 km/h acima do limite estabelecido), velocidade a partir da qual o condutor pratica uma infração grave, sendo punido com multa e inibição de conduzir", afirma o presidente da PRP.

Para José Manuel Trigoso, "se um eventual aumento da velocidade máxima para os 130 km/h fizer com que esse controlo suba para os 160, é garantido que aumenta a a sinistralidade".

Consumo de álcool punido a dobrar

Entre as alterações ao Código da Estrada espanhol (Ley de Tráfico) hoje aprovadas pelo Governo de Mariano Rajoy e que seguem agora para o Parlamento, está também o agravamento em 100% da coima por condução sobre o efeito do álcool, passando dos 500 para os mil euros.

Apesar de reconhecer que "a punição ajuda à prevenção", José Manuel Trigoso lembra que as coimas por consumo de álcool deviam estar indexadas ao rendimento do condutor, tal como acontece na Escandinávia.

"Para algumas famílias uma multa de mil euros é uma catástrofe, uma barbaridade, e para outras é quase indiferente", disse ao Expresso. No entanto, em sua opinião "o montante da coima é apenas um dos instrumentos, mas não pode ser o único" numa estratégia de prevenção consumo de álcool ao volante.

Para aqueles que bebem ocasionalmente, José Manuel Trigoso defende que importa aumentar a fiscalização, até porque "as pessoas acham que o risco de ser fiscalizado é muito pequeno".

"E os alcoólicos vão deixar de conduzir?", questiona o presidente da PRP, para logo responder: "Acho que não". Trigoso defende a instalação de alcolocks nos veículos conduzidos por pessoas com problemas alcoólicos, que impedem o motor de trabalhar caso se registem no condutor valores de álcool superiores aos permitidos por lei.

Segundo José Manuel Trigoso, 35 por cento dos condutores mortos em acidentes de viação apresentavam uma taxa de alcoolemia superior à permitida pela lei portuguesa, a saber, 0,5 gramas por litro de sangue.

Capacete obrigatório para ciclistas

Uma das alterações ao Código da Estrada espanhol que maior contestação está a suscitar é a utilização obrigatória de capacete para todos os ciclistas menores de 18 anos, independentemente da idade e da via por onde circulam. Até agora era obrigatório apenas para os maiores de 18 anos e fora das localidades.

"Há uma pressão brutal do lóbi dos ciclistas para não ser assim. Dizem que, se for obrigatório usar capacete, muitas pessoas deixarão de andar de bicicleta", lembra o presidente da PRP.

Em Espanha, "tratando-se de uma medida aplicada a todos os menores, é um primeiro passo importante" para sensibilizar as crianças para as questões da segurança rodoviária, remata José Manuel Trigoso.

Em Portugal, os condutores de velocípedes sem motor não são obrigados a usar capacete.

http://expresso.sapo.pt/prevencao-rodoviaria-defende-aumento-da-velocidade=f833955

 

Ler 3386 vezes