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quarta, 02 outubro 2013 23:08

Drogas ficaram «mais potentes e baratas» nos últimos 20 anos

Uma pesquisa realizada no Canadá revelou que as drogas tornaram-se mais baratas e mais puras em todo o mundo nos últimos 20 anos, sugerindo um «fracasso» dos esforços para conter a produção, consumo e tráfico de estupefacientes. 

O estudo do International Centre for Science in Drug Policy (Centro Internacional para a Ciência em Políticas de Drogas) foi publicado na revista científica British Medical Journal Open e avaliou programas de contenção e vigilância de governos de diferentes países.

De acordo com os responsáveis pela pesquisa, os governos deveriam passar a considerar o uso de drogas um aspecto de saúde pública, e não um assunto para a Justiça.

«Deveríamos procurar implementar políticas que colocam a saúde e a segurança no topo das nossas prioridades, e considerar o uso de drogas como um aspecto de saúde pública, ao invés de um problema para a Justiça criminal», diz Evan Wood, um dos responsáveis pelo estudo. «Com o reconhecimento do improvável sucesso dos esforços para reduzir o fornecimento de drogas há uma necessidade clara para aumentar o tratamento do vício e de outras estratégias para diminuir de forma efectiva os danos relacionados com o uso de drogas», complementa.

De uma forma geral, os números compilados pelo centro canadiano mostram que entre 1990 e 2010 os preços das drogas caíram, enquanto a pureza e a potência aumentaram. Na região andina (Peru, Bolívia e Colômbia) a apreensão de folhas de coca aumentou em quase 200% entre 1990 e 2007, mas isso não levou a uma grande redução do consumo de cocaína em pó nos Estados Unidos, colocando em xeque as políticas públicas focadas na contenção do fornecimento de estupefacientes. Na Europa, o preço médio das drogas à base de ópio e da cocaína, reajustados de acordo com a inflação e o grau de pureza, diminuíram em 74% e 51% respectivamente entre 1990 e 2010.

Além disso, as drogas estão mais puras e mais disponíveis. Os números do relatório mostram que houve um aumento significativo em diversos países em relação à apreensão de cocaína, heroína e cannabis, conforme os registos governamentais desde 1990. Para o centro baseado em Vancouver, a análise mostra que o foco baseado na contenção do fornecimento e criminalização tem falhado, e que outras estratégias, como a descriminalização, deveriam ser apreciadas.

A divulgação do estudo ocorre dois dias após um agente britânico de alto escalão ter dito que drogas como cocaína, crack, ecstasy, LSD e metadona deveriam ser descriminalizadas e que os utilizadores deveriam receber cuidado e tratamento, ao invés de serem vistos como criminosos. Para Mike Barton, a descriminalização eliminaria os rendimentos dos traficantes, destruindo o seu poder. Outro aspecto positivo seria a criação de um «ambiente controlado», em que medidas para lidar com o assunto poderiam ser mais bem-sucedidas. Em resposta, o governo britânico disse que as drogas eram ilegais por serem perigosas. «Devemos ajudar os indivíduos que são dependentes com tratamento, ao mesmo tempo que devemos garantir que a lei protege a sociedade através da interrupção do fornecimento e do combate ao crime organizado que está associado ao comércio de drogas».

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=659403

 

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