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terça, 02 junho 2015 13:00

Ciência explica por que temos mais pelos em certas partes do corpo

A pergunta já deixou muito cientista de cabelo em pé: por que é que nos seres humanos, ao longo da evolução, a maior parte dos pelos do corpo permaneceu em certos lugares, como cabeça, tórax (no caso dos homens), axilas e partes íntimas?

A pergunta já deixou muito cientista de cabelo em pé: por que é que nos seres humanos, ao longo da evolução, a maior parte dos pelos do corpo permaneceu em certos lugares, como cabeça, tórax (no caso dos homens), axilas e partes íntimas?

«O crescimento capilar nos humanos é reduzido, comparado com o de outros mamíferos, de tal forma que somos chamados de macacos nus», comenta a dermatologista Tatiana Steiner, assessora do departamento de cabelos e unhas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Como e quando, exactamente, os nossos ancestrais começaram a perder pelos em certas partes do corpo ainda é algo em estudo. Mas segundo as teorias mais recentes dos biólogos evolucionistas, o principal culpado foi uma forte mudança climática, há cerca de três milhões de anos.

No livro «Apes and Human Evolution», lançado no ano passado, o professor de antropologia Russell Tuttle, da Universidade de Chicago (EUA), conta que o aquecimento global secou as florestas da África Central, onde viviam os primeiros hominídeos, transformando tudo em grandes pastagens. A penugem farta, que servia de protecção para recolher frutas, sementes e tubérculos no meio de troncos e árvores, deixou de ter serventia.

Além disso, no calor da savana, sair para caçar com todos aqueles pelos passou a tornar um fardo. Só quem tinha uma cobertura menor conseguia ir atrás de carne durante o dia, enquanto outros predadores descansavam à sombra.

Sem se aprofundar nas teorias evolucionistas, a dermatologista concorda que o crescimento capilar tem uma importante função na termorregulação. Noutras palavras, corpos «despelados» que suam são mais eficientes para deixar o calor sair do que animais com pelos fartos, que não usam roupas. Então, por que certas partes continuaram cabeludas no ser humano?

«O cabelo também funciona como uma barreira física (protectora) e tem uma participação na comunicação sexual e social», explica Steiner. Ou seja: os cílios protegem os olhos de boa parte da poeira, enquanto as sobrancelhas contêm o suor que escorre pela testa e o cabelo oferece proteção contra a incidência directa do sol.

E os malditos pelos que teimam em crescer nas axilas, no tórax e nas virilhas, fazendo tanta gente (inclusive homens) recorrerem à lâmina, cera ou laser? É onde o sexo entra na história. «O aparecimento dos pelos pubianos e nas axilas são sinais da puberdade em ambos os sexos, e as glândulas anexas produzem secrecção e odor específico relacionados com a resposta sexual», diz a dermatologista.

No caso da região genital, também existe a hipótese de que os pelos grossos tenham uma função protetora - daí muitos questionarem se é bom, para as mulheres, deixar a região exposta. «É possível que, evolutivamente, com a tendência de as mulheres realizarem a depilação cada vez mais constante e de forma ampla, que esses pelos tendam a diminuir», imagina a médica, enfatizando que se trata apenas de uma suposição.

Os fios (pelos e cabelos) são derivados proteicos de folículos distribuídos por quase toda a superfície do corpo. Eles podem ser minúsculos e finos (lanugos), ou grossos e fortes (terminais), dependendo do local e da função.

No ser humano, as únicas partes sem pelos são as palmas das mãos, as plantas dos pés, os lábios, a glande e a haste do pénis, os leitos das unhas e as áreas laterais dos dedos das mãos e dos pés.

A ausência de pelos nessas partes do corpo provavelmente tem origem evolutiva - o atrito constante provavelmente fez com que os folículos fossem desaparecendo nessas regiões -, embora não haja relatos científicos que discutam o assunto com muita profundidade.

As hormonas andrógenas são as principais responsáveis pela regulação do crescimento capilar, embora outras, como a da tiroide e a prolactina, também tenham o seu papel. É por isso que os homens têm mais pelos, assim como mulheres com alterações na produção de hormonas.

«Em geral, em termos individuais, o número e a distribuição dos folículos pilosos são determinados geneticamente», relata a dermatologista Tatiana Steiner. Vale sublinhar que o homem possui uma pele mais grossa, oleosa e densa.

A embriogénese (processo pelo qual o embrião é formado e se desenvolve) é que determina o número total de folículos pilosos em cada indivíduo ao longo da sua vida. Em média, cada ser humano possui cerca de dois milhões deles. «Uma falha pode levar a uma densidade anormalmente baixa na formação dos folículos pilosos de forma geral ou em regiões específicas do corpo», avisa Steiner.

No couro cabeludo, a quantidade de folículos pilosos é de cerca de 100 a 150 mil fios e seguem um ciclo de renovação, no qual aproximadamente 70 a 100 fios caem por dia para mais tarde darem origem a novos pelos.

Número estimado de folículos pilosos na pele por região do corpo:
Couro cabeludo: 1.000.000
Tronco: 425.000
Braços: 220.000
Pernas: 370.000
Total aproximado: 2.000.000

Esse ciclo de renovação apresenta três fases: a anágena (ou fase de crescimento), que dura cerca de dois a cinco anos; a catágena (fase de interrupção do crescimento), que dura cerca de três semanas; e a telógena (de queda), que dura cerca de três a quatro meses.

Se os genes e as hormonas determinam o aparecimento e os ciclos dos fios, também são esses os dois principais factores que predispõem os indivíduos - em especial do sexo masculino - à calvície. Entretanto, alguns vícios típicos dos humanos modernos, como o stress, falta de sono e excesso de produtos químicos, vieram agravar o problema. E, enquanto uns sofrem com pelos em excesso no rosto ou nas virilhas, outros fariam qualquer coisa para não ter o couro cabeludo tão exposto.

FONTE - Diário Digital Saúde

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