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domingo, 20 outubro 2019 08:04

Smartphones — Quando a ânsia de ligação se torna solidão

Será que largar mais o smartphone pode ser bom para o bem-estar da família? A evidência científica começa a mostrar que sim. A investigação revela que quanto menos os pais ficam distraídos com o smartphone durante o tempo que passam com os filhos, mais afectivamente próximos se sentem.

A comunicação no seio da família é importante para o desenvolvimento e bem-estar de crianças, adolescentes e adultos. Comunicação não se limita a partilha de informação, comunicação implica estar atento ao que faz o outro sentir-se bem ou mal de forma a ajustarmos o nosso comportamento por entre os muitos caminhos da liberdade e individualidade dos membros da família. A atenção é importante para podermos partilhar as alegrias e os sofrimentos, sendo nesta partilha que se fortalecem os laços afectivos.

A partilha de emoções pode sem dúvida passar por partilhar o que está a decorrer num smartphone, mas com muita frequência não é o que sucede. Nos últimos anos, tornou-se habitual assistir a famílias reunidas com alguns ou todos os membros de olhos postos nos smartphones, dos mais velhos aos mais novos. E quando alguém disponibiliza a sua atenção para o outro com frequência esbarra num interlocutor que sente mais urgência em estar a olhar para o seu aparelho. Será que largar mais o smartphone pode ser bom para o bem-estar da família? A evidência científica começa a mostrar que sim. A investigação revela que quanto menos os pais ficam distraídos com o smartphone durante o tempo que passam com os filhos, mais afectivamente próximos se sentem. Também se confirmou que quanto menos tempo as mães passam ao smartphone quando estão com os filhos pequenos, mais alegria estes mostram. E quanto menos tempo se passa às refeições de família com o smartphone, mais agradáveis estes momentos se tornam. Nem todas as crianças e pais se sentem ou portam da mesma maneira nestas situações, mas verifica-se que a tendência geral é esta. O smartphone até pode servir de escape em situações de tensão, mas não é um meio construtivo e sustentável de lidar com problemas

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Hoje sabe-se que os smartphones criam adicções semelhantes às das drogas de abuso, principalmente quando utilizados para jogos ou redes sociais, mas não esqueçamos a necessidade compulsiva de querer mostrar coisas através do smartphone, quando tal até cria disrupção no fluir da comunicação face a face. As características da adicção aos smartphones incluem ânsia por estar online, uso compulsivo, ansiedade e irritação quando se passa algum tempo sem estar online, interferência negativa no sono, trabalho, tarefas escolares, e subsequente desvalorização destas consequências negativas. Sem esquecer que os smartphones são também usados de forma a lidar com aborrecimentos, stress e ansiedades, assim impedindo uma resolução construtiva dos problemas subjacentes. E consequentemente a tudo isto, está a distracção ao que se passa ao redor, a perda da noção do tempo, a procrastinação. O efeito tranquilizador dos smartphones poderá travar a emergência de perturbações visíveis, mas só temporariamente. Isto não quer dizer que se deva deixar de usar smartphones, deve sim fazer pensar nos seus riscos e em implementar estratégias de moderação do uso.

Uma actividade comum em quem usa smartphones é a participação em redes sociais. As redes sociais têm como objectivo ligar as pessoas. Contudo, a investigação começa a mostrar que o uso excessivo das redes sociais causa sentimentos de solidão, mesmo em pessoas que não terão razões objectivas para se sentirem sós: trata-se de uma solidão caracterizada por sentimentos de vazio e inquietação que até podem coexistir com relações afectivas face a face. Tal dever-se-á a que o cérebro humano precisa de receber uma riqueza de informação sensorial muito grande para poder gerar reacções neuronais para que nos sintamos realmente em companhia de alguém. Uma vez que a comunicação digital carece desta riqueza, cada vez que desejamos um grau alto de proximidade emocional com alguém através de contactos online, esbarramos com um muro psicológico que gerará sentimentos de solidão. E a tendência compulsiva para diminuir a dor do choque contra o muro é frequentemente continuar a chocar contra o muro com mais comunicação online. Este processo pode ser muito inconsciente. É necessário que se ganhe consciência de que o uso dos smartphones pode ter características de adicção a drogas por forma a que o seu uso seja moderado e assim os seus benefícios optimizados.

As redes sociais são excelentes meios de partilha de informação e ligação a pessoas com quem de outra forma não poderíamos contactar tão facilmente, mas não são bons meios de conexão afectiva nem com os que estão do lado de lá do ecrã, nem com os que estão fisicamente presentes, que ficam sem atenção.

FONTE - Público

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