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terça, 23 julho 2019 11:14

Ferido grave andou “às voltas” durante quatro horas. INEM admite “alguns condicionamentos”

O ferido grave foi levado de ambulância até um aeródromo, mas o helicóptero não pôde aterrar por falta de visibilidade. Depois, foi levado para um campo de futebol e foi, horas depois, transportado para Lisboa — mas o INEM garante que teve “a devida assistência”. Este ferido grave faz parte dos 16 feridos resultantes do incêndio que lavra desde sábado nos distritos de Castelo Branco e Santarém.

O ferido grave resultante do incêndio de Vila de Rei andou quatro horas “às voltas” até chegar ao hospital para receber assistência médica, avançou a RTP e o Jornal de Notícias (JN). Também o INEM admitiu que “houve alguns condicionamentos” que fizeram com que “o helitransporte acabasse por não ser tão célere”. As declarações foram feitas pela médica do INEM Paula Neto no ponto de situação feito pela Protecção Civil na manhã desta terça-feira na Sertã. O incêndio que lavra desde sábado em Vila de Rei e Mação fez com que 39 pessoas fossem assistidas no local, 16 delas consideradas feridas.

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Segundo o JN, o INEM demorou cerca de quatro horas a socorrer o ferido – que sofreu queimaduras de primeiro e segundo grau na noite de sábado. Andou às voltas numa ambulância de Suporte Imediato de Vida (SIV) desde Vale da Urra (Vila de Rei) até ao hospital de São José, em Lisboa, onde ainda permanece em coma induzido.

Paula Neto explicou que o atraso no transporte se deveu às “características de voo” e a questões de “segurança”. Já a decisão de transportar o doente de helicóptero foi tomada com base na “situação clínica do doente”, para “manter cuidados e garantir a estabilidade e assistência”. Paula Neto frisou que a vítima teve “a devida assistência diferenciada ao fim de seis minutos após o pedido de ajuda”.

A história do transporte é intrincada. O Centro e Orientação de Doentes Urgentes (CODU) ordenou que o civil ferido fosse levado pela SIV para o aeródromo das Moitas, a cinco quilómetros de Proença-a-Nova – não foi helitransportada de imediato devido às fracas condições de visibilidade: por causa do fumo e de ser noite. O helicóptero do INEM de Santa Comba Dão foi activado pelo CODU e levantou voo às 22h59 de sábado com o objectivo de pousar na pista das Moitas e levar o ferido para Lisboa.

Só que o aeródromo das Moitas, gerido pela Câmara de Proença-a-Nova, só acolhe voos diurnos – ainda que possa haver excepções. É o CODU que deve perceber com a direcção técnica da infra-estrutura quais as capacidades para acolher um helitransporte. Como a pista não tinha iluminação e era necessária uma pessoa para accionar os holofotes, o helicóptero permaneceu algum tempo no ar – a aeronave tinha sido activada sem se ter a certeza de que era permitida a aterragem.

O JN refere que foi impossível contactar o director da pista e responsável pela Protecção Civil de Proença-a-Nova, Daniel Farinha, porque se encontrava envolvido no combate aos fogos (tal como o comandante dos bombeiros). Pairando no ar já com pouco combustível, o helicóptero voltou à base.

Depois, o CODU accionou o helicóptero de Évora — mas tiveram o mesmo problema. Foi então tomada a decisão de aterrar no campo de futebol Senhora das Neves, com autorização do presidente da câmara de Proença-a-Nova, conta ao JN o dirigente da Associação Desportiva e Cultural do concelho, Nuno Alves. O ferido esteve cerca de uma hora e meia no campo de futebol (dentro da SIV) para ser estabilizado. E foi então o “héli” de Évora que transportou o ferido para Lisboa, onde só chegou por volta das três da madrugada de domingo.

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FONTE - Público

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