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terça, 16 julho 2019 07:38

DGS quer crianças a comer melhor e proibir dois terços dos alimentos das máquinas

A diretora-geral de Saúde propõe a proibição de dois terços dos alimentos de máquinas de venda. Graça Freitas diz também que cabe às escolas assumir o compromisso de oferecer melhores alimentos.

A mudança de hábitos na alimentação infantil foi na segunda-feira defendida no Porto pela diretora-geral de Saúde (DGS), Graça Freitas, que quer também proibir dois terços dos alimentos das máquinas de venda automática nas instituições de ensino.

Em declarações à margem da apresentação na reitoria da Universidade do Porto (UP) do relatório Anual do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), Graça Freitas reiterou a aposta na mudança de “ambientes alimentares”, destacando o contributo das universidades neste objetivo.

Destaco a aposta forte da Direção-Geral de Saúde neste programa e dois aspetos fundamentais: um é a informação, a comunicação, a capacitação e a literacia dos cidadãos para fazerem escolhas saudáveis, outro é trabalhar em ambientes que facilitem as escolhas”, afirmou a responsável.

Apontando o modificar dos ambientes alimentares como forma de “transformar os alimentos de forma a que os cidadãos tenham a sua escolha facilitada”, a diretora-geral lembrou que “a reformulação e a taxação das bebidas açucaradas já levou a uma diminuição drástica do consumo por parte dos consumidores”.

Colocando ênfase na “urgência de mudança de estilos de vida”, apontou como exemplo a alimentação infantil, dando como exemplo, que o “que se preconiza hoje é o leite materno até os seis meses de idade e que as crianças não consumam bebidas açucaradas”.

Passando para as universidades, elencou a sua importância neste caminho, explicando que quando “as pessoas entram para a vida universitária iniciam uma nova fase da sua vida, que habitualmente coincide com a saída de casa, com outros desafios sociais e económicos, sendo que ou acabam por comer em cantinas escolares ou por ter de comprar, cozinhar os alimentos”. Neste capítulo, defendeu que o compromisso em que a DGS, através do seu Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável vai ajudar a UP neste plano, “compromete a universidade não só a capacitar a comunidade académica como a dar uma alimentação mais equilibrada nutricionalmente aos seus alunos e docentes”.

Questionada pela Lusa se no prazo de uma década será possível cumprir as alterações agora reclamadas, Graça Freitas disse haver “muitas coisas em jogo quando se fala de alimentação”. “Há todo um setor que tem a ver com a produção, com questões económicas, sociais e de educação. O setor da saúde é apenas um dos que influencia os hábitos e escolhas alimentares da população, neste caso, que está em Portugal”, argumentou.

E continuou: “Não sei dizer se uma década é suficiente para mudar drasticamente os hábitos alimentares, o que eu tenho como certeza é que uma década, um ano ou um período mais curto é suficiente para modificar hábitos alimentares. Hoje temos condições para que países como o nosso, desenvolvidos, mas não só, globalmente, tenham uma alimentação mais saudável do que em décadas anteriores”.

A diretora-geral concordou em “proibir” dois terços dos produtos alimentares à venda nas máquinas automáticas, mas lembrou que não se consegue “modificar tudo que existe à volta de um dia para o outro”.

As modificações vão-se fazendo (…) Não adianta só legislar, tomar medidas e não ter os compromissos necessários para que essas medidas vinguem”, disse Graça Freitas.

Elogiando que a questão do leite escolar “é muito bem-sucedida” em Portugal, Graça Freitas divulgou que as taxas atingidas “são da ordem de quase 100% de utilização”.

“Em relação à fruta e aos legumes, os resultados não são tão bons, porque a adesão passa também por algum voluntariado das próprias escolas. É mais uma vez um trabalho que é feito entre o Ministério da Saúde, da Educação, as autarquias, há aqui muitos parceiros envolvidos e que temos de melhorar”, acrescentou.

O PNPAS, na segunda-feira apresentado, refere que cada português consumiu no ano passado 60 litros de refrigerantes, o que equivale a 3,3 quilogramas de açúcar, um valor menor do que no ano anterior, quando começou a ser aplicado o imposto sobre estas bebidas.

O mesmo relatório dá ainda conta que o programa de distribuição de fruta e leite nas escolas vai ser avaliado no próximo ano letivo, depois de em 2017/2018 Portugal ter usado apenas um terço dos 5,5 milhões comunitários, deixando de fora mais de 230 mil crianças. Da mesma forma, a Roda dos Alimentos, com o apoio da Direção-Geral do Consumidor vai ser revista até final de 2020, prevendo o PNPAS também um sistema de rotulagem uniforme e mais fácil de entender.

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FONTE - Observador

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