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segunda, 15 julho 2019 20:37

Ébola chega à maior cidade do Leste do Congo

A desconfiança dos locais em relação aos funcionários de saúde e a violência das milícias armadas estão a pôr em causa os esforços para prevenir a propagação do vírus do ébola.

O vírus do ébola chegou a Goma, a maior cidade do Leste da República Democrática do Congo, o que aumenta seriamente o risco deste vírus se espalhar caso se enraíze na cidade, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS). Esta segunda-feira, dirigentes das Nações Unidas reuniram-se em Genebra para discutir como se pode combater esta epidemia – considerada a segunda maior desta doença até agora –, que já infectou 2500 pessoas e matou 1655.

No domingo, detectou-se o primeiro caso do vírus do ébola na cidade de Goma, a mais de 350 quilómetros a sul de onde o surto começou por ser assinalado em Agosto de 2018. Com este caso vem o medo de que a propagação do vírus possa aumentar. Afinal, esta é uma das áreas mais densamente povoadas de África e próxima da fronteira com o Ruanda. “Este caso em Goma pode vir a ser um factor de mudança neste surto”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, director-geral da OMS.

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O doente que trouxe o ébola para Goma era um sacerdote que ficou infectado durante uma visita à localidade de Butembo – a 200 quilómetros a norte de Goma –, onde terá interagido com outros doentes, revelou o ministro da Saúde da República Democrática do Congo. Esta segunda-feira foi levado para uma clínica em Butembo.

“Devido à rapidez com que este doente foi identificado e isolado, assim como de outros passageiros [que viajaram com ele] de autocarro para Butembo, o risco de propagação para o resto da cidade permanece baixo”, disse o ministro. Mike Ryan, responsável pelas situações de emergência da OMS, revelou que já foram identificados 60 contactos que este doente teve, incluindo 18 que tinham viajado de autocarro com ele, e metade deles já tinha sido vacinada.

Funcionários de saúde sob ataque

Desde há um ano que Goma tem sido preparada para a chegada do ébola através da instalação de estações de lavagens de mãos e de uma campanha para que os condutores de moto-táxi não partilhem capacetes.

“Há o grande risco de os números aumentarem ou do vírus se espalhar para novos sítios, tal como aconteceu em Goma”, referiu Josie Golding, especialista em epidemias da organização não-governamental Wellcome Trust.

O vírus do ébola causa diarreia, vómitos e hemorragias e pode transmitir-se através dos fluidos corporais. Entre 2013 e 2016 houve uma epidemia que matou mais de 11.300 pessoas na África Ocidental e foi a maior até desta doença até agora.

Embora a tecnologia para combater esta epidemia – como vacinas e unidades especiais de tratamento – esteja melhor que nunca, a confiança da comunidade nos funcionários de saúde é pouca. A violência das milícias também tem impedido os funcionários de saúde de aceder a áreas mais remotas.

No fim-de-semana, atacantes não identificados mataram dois funcionários de saúde perto de Mukulia, na província de Kivu do Norte, no último de uma série de assaltos deste ano que feriram e mataram dezenas de pessoas. “Todos os ataques dão ao ébola uma oportunidade para se espalhar”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Além da segurança, outro grande desafio é o dinheiro, assinalaram os dirigentes da ONU. “Se os recursos não aumentam, não vai ser possível controlar o surto”, disse Mark Lowcock, subsecretário-geral da ONU para questões humanitárias. “O dinheiro não é preciso para a próxima semana, nem para o próximo mês, nem daqui a um ano. É preciso agora.”

FONTE - Público

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