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quinta, 20 junho 2019 10:21

Grávidas em Lisboa podem não ter urgências durante o verão

Quatro hospitais da grande Lisboa não têm pessoal suficiente para estarem abertos durante todo o verão. "É o completo caos", diz fonte hospitalar ao Público. Ministério tenta solução rotativa.

As urgências de obstetrícia de quatro dos maiores hospitais da Grande Lisboa (Maternidade Alfredo da Costa, Santa Maria, São Francisco Xavier e Amadora-Sintra) não têm capacidade para estarem continuamente abertas desde a última semana de julho até ao final de setembro, devido à falta de pessoal.

A notícia é dada pelo jornal Público, que falou com fontes dos vários serviços, e que garante que a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) propôs como solução um esquema de rotatividade entre serviços, garantindo que a qualquer altura pelo menos um destes quatro serviços está a funcionar. Mas a solução ainda não está fechada e o esquema terá impacto noutras áreas hospitalares.

A situação é particularmente grave porque os quatro hospitais em causa são unidades de referência com serviços de neonatologia e de acompanhamento de gravidez de risco.

O Público explica que tudo se deve à falta de obstetras e anestesistas nos quatro estabelecimentos, com a situação a agravar-se durante as férias de verão. “É o completo caos em Lisboa. Não há preparação, não há estratégia e não há soluções”, declarou uma fonte de um destes hospitais ao jornal.

Só para se ter noção dos números, uma equipa de urgência deve ter idealmente três obstetras e um serviço de urgência desta dimensão deve contar com oito equipas. No Hospital de Santa Maria há apenas 28 obstetras em vez dos 35 necessários para assegurar sete equipas (já se deixou cair a oitava). No São Francisco Xavier há 14 em vez dos 24 necessários. Tudo se agrava com a falta também de anestesistas, como acontece na MAC: os 60 obstetras são suficientes para assegurar a escala da urgência este verão, mas faltam especialistas em anestesia.

A solução proposta na reunião pela ARSLVT foi a de dividir as semanas em blocos e garantir assim que há pelo menos um destes quatro hospitais com serviço de urgência a funcionar entre o final de julho e o final de setembro. Contudo, fonte oficial da tutela explicou ao Público que o assunto ainda não está fechado, precisamente pelo facto de ainda não terem sido analisados os dados dos serviços de anestesia — algo que irá ser tratado em nova reunião, na próxima semana.

FONTE - Observador

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