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sexta, 17 maio 2019 15:47

Professores e motoristas desistem de greves. Mas há outras marcadas

Na próxima semana, há pelo menos duas greves agendadas. Em Junho, os médicos irão parar. Conheça outros protestos que poderão afectar os serviços nacionais.

No final do último ano, Arménio Carlos antecipava que o novo ano traria “muita coisa a mexer, muitas lutas a fervilhar”. O secretário-geral da CGTP não excluía a convocação de uma greve geral e avisava que tinha saltado “a tampa da panela de pressão”.

Em menos de três anos, o primeiro-ministro já enfrentou quase tantas greves da Função Pública como as que ocorreram durante o mandato completo do anterior Governo, sob a liderança de Pedro Passos Coelho. Uma das greves mais expressivas e mediáticas foi a greve dos motoristas de combustíveis de matérias perigosas, que alarmou parte da população e se traduziu numa corrida aos postos de abastecimento.

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No que diz respeito a sectores, o mais activo durante os anos da “geringonça” tem sido o da saúde, seguindo-se a educação e a segurança e justiça.

Durante a madrugada desta sexta-feira, a greve dos motoristas de matérias perigosas anunciada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas foi desconvocada. Mas não é o único protesto a recuar.

Esta quarta-feira, os sindicatos de professores decidiram levantar a greve às avaliações, marcada para o próximo mês, substituindo-a por um conjunto de protestos que terão lugar até às eleições legislativas, em Outubro. A decisão foi anunciada pelo secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira.

Além dos professores, também os enfermeiros decidiram cancelar a greve que tinham agendada. Depois de duas grandes paralisações — a primeira prolongou-se durante 40 dias —, a última greve convocada por um dos sindicatos de enfermeiros foi cancelada a 24 de Abril pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor). As reuniões entre o sindicato e a tutela estavam sucessivamente a adiar as reuniões e a greve acabou por ser cancelada. Mas os profissionais não excluem novas paralisações e protestos.

Greves agendadas

Médicos param em Junho
Na última semana de Junho, poderá esperar consultas canceladas. A greve dos médicos irá durar um dia e resulta da ausência de acordo entre os sindicatos representativos dos médicos e o Ministério da Saúde. A data exacta será decidida no início do próximo mês.

Anestesistas de hospital em Amadora Sintra em protesto
A partir deste domingo e durante a próxima semana, haverá uma paralisação no serviço de anestesia do Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), entre as 20h do dia 19 de Maio e as 20h do dia 24 deste mês. Na lista de exigências dos médicos está a redução do número de horas de trabalho no serviço de urgência, das actuais 18 para 12 horas.

Comboios fazem greve segunda e terça-feira
Na próxima segunda e terça-feira os revisores da empresa Comboios de Portugal (CP) vão entrar em greve. No domingo à noite, os clientes já deverão começar a sentir perturbações. O Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI) entregou um pré-aviso de greve para os dias 20 e 21 de Maio e abrange cerca de mil funcionários, entre revisores, trabalhadores de bilheteiras e outros funcionários da CP.

A paralisação nacional foi convocada para protestar contra o incumprimento do acordo assinado em Setembro de 2017, que visava recrutar 88 trabalhadores para a área comercial e a do acordo colectivo de trabalho, que tem 20 anos, e que deveria ter sido finalizado até 30 de Setembro.

O Tribunal Arbitral decidiu decretar serviços mínimos para a greve alegando que o direito à greve “tem que ser interpretado em harmonia com outros direitos fundamentais”.

Transportes
Os trabalhadores da Transportes Sul do Tejo (TST) voltam a paralisar no domingo e segunda-feira. Os funcionários exigem aumento de salários e diminuição da carga horária, estando prevista também uma concentração em frente à Câmara de Almada, no distrito de Setúbal.

Como “nada se alterou no plano político-sindical da empresa” e não há respostas sobre a proposta de aumento salarial para 750 euros, os trabalhadores e sindicatos convocaram uma nova greve, que, desta vez, “traz a luta para a rua”, adiantou João Saúde, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans).

À semelhança das greves já realizadas em Março e Abril, a questão central continua a ser o “aumento de salários, os direitos dos trabalhadores e a sobrecarga horária”, segundo João Saúde.

A TST, detida pelo grupo Arriva, desenvolve a sua actividade na Península de Setúbal, com 190 carreiras e oficinas em quatro concelhos, designadamente Almada, Moita, Sesimbra e Setúbal.

Inspectores do Estado
Os trabalhadores dos serviços de inspecção externa do Estado vão avançar para greve a 30 de Maio. Está em causa o novo regime de carreiras proposto pelo Governo. A paralisação foi convocada, esta sexta-feira, pela Federação dos Sindicatos da Administração Pública (FESAP) e pela Federação Nacional dos Inspectores do Estado (FNIE), que consideram que a proposta do Governo “revê e extingue as actuais carreiras de inspecção, criando carreiras unicategoriais”. Nesta categoria de inspectores incluem-se os inspectores da instituto da Segurança Social, da direcção-geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos e Autoridade para as Condições do Trabalho.

Teatro de São Carlos e Companhia Nacional de Bailado
Os trabalhadores do Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa, e Companhia Nacional de Bailado irão fazer greve devido a uma “quebra de confiança em relação à administração e à tutela [ministério da Cultura]”. A greve afectará a ópera La Bohème (7, 9, 11 e 14 de Junho no São Carlos), e o bailado Dom Quixote (entre 11 e 13 de Julho no Teatro Rivoli, no Porto), e os espectáculos incluídos no Festival ao Largo, em Julho.

Estivadores estudam possibilidade de greve
No próxima quinta-feira, 23 de Maio, o Sindicato dos Estivadores e da Actividade Logística (SEAL) estará reunido em plenário de trabalhadores. A Operestiva, empresa do grupo Yilport, diz que o único obstáculo à conclusão de um contrato colectivo “foi mais uma vez a divergência em relação ao que pode ser um aumento razoável das condições remuneratórias, sem colocar em risco a viabilidade económica das empresas”. Não é claro se deste plenário resultara, ou não, um novo protesto.

FONTE - Público

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