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quinta, 16 maio 2019 18:39

Marisa Matias acusa União Europeia de destruir os melhores serviços nacionais de saúde

A bloquista considera que ainda há margem para um entendimento com o PS em matéria de lei de bases e que esse é o desejo de muitos socialistas.

Não foi a primeira vez que o tema da saúde e, concretamente, da lei de bases entrou na campanha do Bloco de Esquerda para estas eleições europeias. Mas, nesta quinta-feira, foi diferente: a cabeça de lista Marisa Matias esteve em casa, em Coimbra, e visitou aquele que já foi, em tempos, o seu centro de saúde. Os médicos dizem à candidata que está “saudável”, mas a bloquista não esconde que tem uma dor, a de ver ao longo dos anos a destruição de alguns dos “melhores” serviços nacionais de saúde na União Europeia (UE), por culpa de constrangimentos orçamentais.

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“Assistimos, nas últimas décadas, nos últimos anos, por imposições da UE, àquilo que foi a destruição de alguns serviços nacionais de saúde que estavam mais bem classificados a nível mundial. Em Portugal, ainda estamos a tempo [que tal não aconteça]”, disse em declarações aos jornalistas, depois de ter visitado o centro que é, agora, uma unidade de saúde familiar.

O mote estava lançado e a comunicação social já não largaria a candidata para a ouvir sobre um tema nacional que já se esperava que entrasse pela campanha dentro: a Lei de Bases da Saúde. A bloquista insistiu que ainda é possível haver um entendimento com o PS, desde que, nas negociações que garantiu ainda decorrerem, este recue em questões polémicas como a manutenção ou fim das Parcerias Público-Privadas na saúde. “Estamos a tempo de o PS deixar o recuo e voltar-se para aquilo que têm sido as reivindicações de muitos militantes socialistas”, insistiu Marisa Matias, confiante de que há “muita gente dentro do PS”, uma “grande parte de militantes e apoiantes”, que se revê no legado de António Arnaut. A bloquista recusa, para já, falar em derrota neste processo: “Não perdemos. Queremos obviamente perceber qual será o posicionamento do PS”, acrescentou.

A Unidade de Saúde Familiar de Celas foi a metáfora perfeita para a candidata falar de um dos temas mais caros aos bloquistas: o SNS. Ali, contaram-lhe sobre o empenho das equipas, sobre os resultados alcançados, sobre os cuidados que prestam aos cerca de 15 mil utentes. Faltam, no entanto, entre outros problemas enumerados, instalações adequadas. Constrangimentos que a coordenadora daquela unidade, Fátima Branco, espera “que acabem com a força” não sabe “de quem”. Marisa Matias responde: “Sabe que defendemos de alma e coração o SNS.” O que a candidata quer é mais investimento num sector que considera ter vindo a ser “atacado a nível nacional e pelas imposições de Bruxelas”.

A eurodeputada lembrou que, “todos os anos, a cada dois meses” há, “nas recomendações aos orçamentos do Estado, uma redução da despesa pública” nos serviços públicos: “Por exemplo, o serviço nacional de saúde britânico que era reconhecido como sendo um dos melhores do mundo está completamente destruído, pese embora a vontade e o esforço dos seus profissionais. Foi entregue a privados. Em Portugal, ainda estamos a tempo de não entregar o nosso a privados”, insistiu.

FONTE - Público

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