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domingo, 12 maio 2019 13:23

Atriz norte-americana Alyssa Milano apela a “greve de sexo” contra leis anti-aborto

No estado da Geórgia, EUA, foi aprovada uma lei que proíbe o aborto a partir do momento em que se deteta o batimento cardíaco de um feto humano (por volta das 6 semanas). Esta foi a resposta da atriz.

A atriz norte-americana Alyssa Milano apelou na rede social Twitter a uma “greve de sexo” das mulheres na sequência da lei anti-aborto assinada pelo governador da Geórgia, o republicano Brian Kemp, que proíbe a interrupção voluntária da gravidez a partir do momento em que um médico detetar o batimento cardíaco de um feto humano.

O apelo surgiu através de uma publicação que já foi partilhada por mais de 13 mil pessoas só no Twitter. Nesta, a atriz escreveu: “Os nossos direitos reprodutivos estão a ser apagados. Até que nós, mulheres, tenhamos controlo legal sobre os nossos próprios corpos, não podemos simplesmente arriscar a gravidez. Juntem-se a mim em não fazer sexo até que voltemos a ganhar a autonomia do nosso corpo. Estou a apelar a uma #SexStrike [Greve de Sexo]. Passem a mensagem”.

Our reproductive rights are being erased.

Until women have legal control over our own bodies we just cannot risk pregnancy.

JOIN ME by not having sex until we get bodily autonomy back.

I’m calling for a #SexStrike. Pass it on. pic.twitter.com/uOgN4FKwpg

— Alyssa Milano (@Alyssa_Milano) May 11, 2019

A lei contra a qual Alyssa Milano, 46 anos, se insurgiu diz que “nenhum aborto é autorizado ou deve ser feito se for determinado que a criança por nascer já tem batimento cardíaco humano”. Como grande parte das leis anti-aborto, esta inclui algumas exceções, que o permitem quando “a gravidez colocar em risco a vida” da mulher ou quando tiver potencial para implicar dano físico irreversível à grávida, refere a estação norte-americana CNN.

A atriz opõe-se veementemente à lei, que entrará em vigor a 1 de janeiro do próximo ano, se esta não for vetada por motivos jurídicos e constitucionais. Esse risco existe, na verdade: um juiz federal já vetou uma lei semelhante no estado de Kentucky — mas que foi escrita com o intuito de entrar em vigor de imediato — por risco de inconstitucionalidade, enquanto um outro diploma parecido foi aprovado no estado do Mississippi e poderá entrar em vigor em julho deste ano, mas também enfrenta riscos de ser travado até lá, lembra a BBC.

A atriz foi uma das opositores mais firmes da nomeação do juiz Brett Kavanaugh (acusado por várias mulheres de alegado assédio e abuso sexual) para o Supremo Tribunal dos EUA, por Donald Trump (@ Alex Wong/Getty Images)

Uma das críticas mais incisivas ao conteúdo do projeto-lei, por parte dos defensores da legalização do aborto, passa pela dificuldade que uma mulher pode ter em aperceber-se de que está grávida antes de ser detetado o batimento cardíaco de um feto. Normalmente, este é detetado por volta das seis semanas (um mês e meio).

A CNN elencou um conjunto de razões que levam a que possa ser difícil detetar a gravidez nesse período, nomeadamente o facto de quase metade das gravidezes nos EUA não serem planeadas (o que faz com que a monitorização do corpo não seja detalhada), o facto de muitas mulheres terem menstruação irregular (o que as pode levar a não desconfiar da gravidez nesse período) e a deficiente educação sexual, que faz com que muitas jovens mulheres “não compreendam verdadeiramente como os seus corpos funcionam e como a menstruação e os seus ciclos funcionam” .

Não só Alyssa Milano, mas Hollywood em bloco está a insurgir-se contra o diploma legal. Numa carta assinada por 50 atores, entre os quais Amy Schumer, Christina Applegate, Alec Baldwin e Sean Penn, algumas das figuras da indústria de cinema e televisão do país afirmaram ter a vontade de “ficar na Geórgia” (isto é, continuar a trabalhar no estado) mas não “silenciosamente”, prometendo ainda “fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para mover a nossa indústria profissional para um estado mais seguro para as mulheres se [a lei] entrar em vigor”.

A atriz norte-americana numa sessão de promoção da série “Insaciável”, cujo elenco integra, a 9 de agosto em Hollywood (@ Alberto E. Rodriguez/Getty Images)

As ameaças de boicote à produção e gravação de filmes e séries de televisão no estado, caso o diploma se torne lei, originaram reações concordantes e discordantes, como aconteceu com o apelo a uma greve de sexo de Alyssa Milano.

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FONTE - Observador

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