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quarta, 17 abril 2019 13:08

Novo estudo britânico diz que consumo diário de carnes vermelhas ou processadas não deve exceder os 20 gramas

A recomendação das autoridades de saúde é a de um consumo diário de 70 gramas de carnes vermelhas ou processadas, mas novo estudo diz que esta quantidade aumenta o risco de cancro no intestino.

Não basta comer moderadamente carnes vermelhas ou processadas, como bacon, fiambre ou salsichas. Para prevenir cancro no intestino, não se deve exceder o consumo de 20 gramas diários destes alimentos, concluiu um estudo britânico elaborado ao longo dos últimos cinco anos e agora divulgado –numa altura em que o governo do Reino Unido, à semelhança do português, recomenda que estas quantidades não excedam os 70 gramas (mais do dobro).

Segundo o The Guardian, o Departamento de Saúde e Assistência Social inglês sugere que a quantidade diária recomendada destas carnes deve ser reduzida de 90 para 70 gramas, ou menos. Mas este estudo agora conhecido conclui que, mesmo com essas quantidades de consumo, existe uma probabilidade forte de contrair cancro, mais concretamente um cancro no intestino.

O Departamento de Saúde e Assistência Social explica que 90 gramas equivalem a cerca de três finas fatias de carne de vaca, vitela, cordeiro, borrego ou porco, enquanto a carne processada inclui salsichas, bacon, fiambre ou presunto. Num típico pequeno almoço inglês, em que se comeriam duas salsichas e duas fatias de bacon, por exemplo, a refeição atingiria os 130 gramas, quase o dobro do recomendado pelo governo. E cinco vezes mais do que a quantidade agora recomendada por este estudo.

O estudo em causa foi levado a cabo pelo Biobank — um projeto criado no Reino Unido que basicamente visa acompanhar uma grande amostra de pessoas (500 mil) até à sua morte, para cruzar os seus hábitos de vida com doenças que possam contrair. Nesta investigação, que se prolongou durante mais de cinco anos, concluíu-se que este meio milhão de inscritos comeram uma média de 76 gramas de carne vermelha ou processada, e que, ainda assim, enfrentam 20% de aumento do risco de sofrerem de cancro no intestino relativamente a quem consome apenas uma média de 21 gramas destas carnes diariamente.

Partindo do principio que alguns colaboradores do estudo podem faltar à verdade ou esquecerem aquilo que comeram, os investigadores fizeram um ajuste nas conclusões. Ainda assim,  perceberam que quem comia mais e menos carne tinha tendência a exagerar no seu consumo ou na falta dele.

O estudo também concluiu que os consumidores de álcool aumentam também este risco em 24% relativamente aos que não bebem. No entanto, o consumo de fibras e pão logo pela manhã revela um efeito protetor. Também a Organização Mundial de Saúde, num estudo divulgado em janeiro, relatou que a fibra protege contra as doenças cardíacas.

Não estamos a afirmar que, portanto, a recomendação do governo está errada e deve ser alterada”, disse Key, que lembrou que a carne tem também benefícios nutricionais. “A carne é importante para o ferro. Gostaríamos de considerar outros aspetos da saúde se pretendessemos mudar a recomendação. A principal mensagem para o público é reforçar o conselho do governo de que não devemos comer grandes quantidades de carne vermelha e processada ”, disse.

O álcool, por outro lado, aumentou o risco de câncer no intestino e não teve benefícios nutricionais, alertou. “O álcool é uma coisa opcional que não precisamos consumir“, acrescentou Key.

Direção Geral de Saúde recomenda até 500 gramas por semana de carne vermelha

Em Portugal, a Direção Geral de Saúde lembra que “de acordo com a evidência científica, os cidadãos podem reduzir o risco de cancro se adotarem comportamentos saudáveis de alimentação e atividade física”. E, através do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, num texto sobre Alimentação e Cancro, recomenda uma redução da carne vermelha (vaca, porco, cabrito…) para valores até 500 gramas por semana (cerca de 70 gramas diários, como no Reino Unido).

“A carne continua a ser considerada um alimento importante para ser incluído moderadamente na dieta humana e numa alimentação diversificada pelo seu elevado valor proteico, vitamínico e mineral. Se gostar de carne, não prescinda dela, mas consuma moderadamente”, lê-se no site.

A autoridade de saúde lembra também o consumo de “alimentos protetores” como a fruta e os legumes. Também aqui recomenda um consumo diário de 400 gramas, o que se traduz em duas sopas e 3 peças de fruta todos os dias, além do consumo de cereais integrais. Também refere que algumas refeições de carne possam, ocasionalmente, ser substituídas por “fontes de proteína vegetal, como o feijão, as lentilhas ou o grão”.

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FONTE - Observador

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