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terça, 16 abril 2019 16:15

DGS recomenda mais estudos sobre o alargamento da vacina contra o HPV aos rapazes

Direcção-Geral da Saúde já tem o parecer sobre o alargamento da vacina contra o HPV aos rapazes e apresentou quatro opções ao Ministério da Saúde. Comissão técnica de vacinação defende mais estudos sobre os efeitos nos rapazes.

O relatório da Direcção-Geral da Saúde (DGS) sobre o possível alargamento da vacina contra o Papiloma Vírus Humano (HPV) aos rapazes já está concluído e entregue ao Ministério da Saúde. De acordo com a directora-geral da Saúde, a Comissão Técnica de Vacinação (CTV), que presta apoio científico à DGS, apresenta quatro opções: a aposta na protecção indirecta e na imunidade de grupo pela vacinação das raparigas; o alargamento aos rapazes com a vacina bivalente — que contém os dois genótipos associados a cancro nos rapazes; alargamento com a vacina quadrivalente e uma vacinação semelhante à das raparigas com nove genótipos.

Em declarações aos deputados na comissão parlamentar de Saúde, onde foi chamada esta terça-feira para falar das três vacinas previstas no Orçamento de Estado para este ano, Graça Freitas afirmou que a decisão sobre o alargamento da vacina do HPV aos rapazes é “política”, mas deixou claro que os benefícios para os rapazes são menores do que os conseguidos para as raparigas. “A CTV propõe e a DGS acolhe que se estude melhor a realidade portuguesa e a CTV recomenda, e a DGS acolhe, que temos de melhorar a monitorização da doença em rapazes e raparigas”, disse.

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“Não podemos comprometer a vacinação nas raparigas”, salientou ainda, já que desta forma se garante uma imunidade de grupo e uma redução do risco de cancro provocado pelo HVP quer em mulheres como em homens no futuro. “Estima-se, em Portugal, que cancros provocados por HPV em homens sejam entre 160 a 180 casos por ano. Enquanto quase todos os cancros do colo do útero são imputáveis ao HPV. Não se pode ter expectativas de que a vacina faça milagres para os rapazes. Faz para as raparigas mas não fará milagres para os rapazes”, disse a directora-geral da Saúde, explicando que apenas os genótipos 16 e 18 estão associados a cancros nos homens e em percentagens muito reduzidas nalguns casos.

“A opção D [a última], com as nove valências, a começar a vacinar todos os rapazes e repescar quatro coortes [quatro grupos determinados pelo ano de nascimento] custaria 18 milhões de euros no primeiro ano de vacinação”, disse a responsável, salientando os vários desafios que se colocam a uma decisão.

“Ainda não se sabe a magnitude do efeito da protecção indirecta nem da duração da imunidade. Acreditamos que é eficaz nos rapazes, mas em sede de licenciamento a vacina para os rapazes está apenas licenciada para cancro anal. O Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC) continua a recomendar a vacinação das raparigas e há a preocupação do constrangimento de vacinas. A Organização Mundial da Saúde publicou um artigo há pouco tempo que diz que nos temos de preparar para termos constrangimentos da vacina do HPV nos próximos cinco anos”, referiu Graça Freitas, adiantando que os constrangimentos na compra de vacinas podem ter já efeitos este ano.

As outras vacinas

Quanto à possível introdução das vacinas contra o rotavírus, responsável por gastroenterites em crianças, e o alargamento da vacina contra a meningite B a todas as crianças — actualmente já é dada gratuitamente a um grupo especialmente frágil devido a diversas doenças —, os relatórios estarão concluídos em breve. As três vacinas estiveram na origem de uma polémica no final do ano passado, quando os deputados aprovaram uma alteração no Orçamento de Estado para que as mesmas fossem introduzidas no Programa Nacional de Vacinação (PNV).

A redacção final do artigo seguiu a formação da proposta feita pelo BE, que prevê que a inclusão seja feita em “articulação” com a DGS. Na comissão, os deputados afirmaram que a intenção foi apenas garantir que, no caso de haver informação científica no sentido da introdução e alargamento das vacinas, houvesse orçamento disponível já para este ano.

As perguntas dos vários partidos foram todas no mesmo sentido. Quais as conclusões da CTV e da DGS em relação às três vacinas. Graça Freitas começou por explicar todo o processo que fundamenta a decisão de sugerir ou não a alteração do PNV e que passa pela análise de diversos factores, incluindo o peso da doença no nosso país, a gravidade da doença que causa, se a vacina tem estirpes coincidentes com as que circulam em Portugal, duração da imunidade e se confere imunidade de grupo.

“Quem nos dera que as vacinas fossem todas muito boas. Se todas fossem boas, não tínhamos dúvidas em lutar por elas”, afirmou Graça Freitas. Socorrendo-se dos relatórios preliminares da CTV, adiantou que a vacina do meningococo B “ainda apresenta limitações”. “A primeira advém do conteúdo da vacina. A concordância com as estirpes circulantes em Portugal é de 67,9. Não é uma boa concordância. Não tem mais-valia de base populacional e também não demonstrou imunidade de grupo. Continuamos só com benefício individual. Ainda temos dúvidas sobre a duração da imunidade. Vamos apresentar à tutela relatório com o que se pode esperar da vacina. A decisão será política.”

O mesmo se aplica à vacina contra o rotavírus, cuja “carga da doença em Portugal não é relevante”.

Graça Freitas baseou-se na experiência que tem de negociação para a compra de vacinas para o PNV, que de forma centralizada se consegue preços mais baixos, para estimar que a generalização das três vacinas “poderia ter um custo directo de 15 milhões de euros por ano”. “Representa quase metade do que custa o PNV”, acrescentou.

A directora-geral foi ainda questionada sobre a vacina da BCG e do sarampo. Sobre a primeira, adiantou que as crianças que fazem parte dos grupos de risco serão vacinadas nas maternidades, evitando assim que possam existir falhas na vacinação. A alteração tem por base o ligeiro acréscimo de casos graves de tuberculose em crianças até aos seis anos. Já sobre o sarampo, afirmou que estão a proceder à repescagem de crianças e adultos que não estavam vacinados e que houve um aumento da cobertura vacinal nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e Algarve, as duas regiões que tinham taxas mais baixas.

FONTE - Público

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