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terça, 09 abril 2019 16:37

Uma mulher americana viveu até aos 99 anos com os órgãos nos sítios errados e nunca soube

A descoberta foi feita por estudantes de Medicina enquanto estudavam o corpo Rose Marie Bentley, que morreu de causas naturais. O caso é tão raro que acontece uma em cada 50 milhões de vezes.

Rose Marie Bentley morreu aos 99 anos de causas naturais e cedeu o seu corpo à ciência. Na primavera de 2018, o corpo de Rose chegou às mãos de Warren Nielsen e dos seus colegas no curso de Medicina que foram obrigados a chamar o professor quando começaram a inspecionar o interior. Os órgãos de Rose Marie estavam posicionados de forma incaracterística devido à sua condição: situsinversus com levocardia, em que a posição dos órgãos está revertida, como se tivesse um espelho dentro do corpo.

A tarefa dos alunos no laboratório na Universidade de Saúde e Ciência de Oregon, em Portland, nos Estados Unidos, era dissecar um corpo humano em grupos de cinco. O grupo de Warren Nielsen rapidamente reparou em alguns erros no corpo de Rose. “O coração não tinha uma veia que, normalmente, está do lado direito”, disse Nielsen à CNN. A descoberta — ou a falta dela — fez com que os alunos chamassem o professor que começou por questionar os alunos. Depois de se debruçar sobre o corpo, o professor ficou estupefacto: “isto está tudo ao contrário”.

O corpo típico tem uma veia que segue pelo lado direito da coluna, curva sob o fígado e deposita sangue desoxigenado no coração. A veia de Rose estava à esquerda. Para além desta, outras veias não estavam lá ou simplesmente apareciam noutro local, o pulmão direito tinha dois lobos — em vez dos tradicionais três — e o lado direito do coração tinha o dobro do tamanho.

Mas as “anormalidades” não ficam por aqui. “Em vez de ter o estômago à esquerda, o que é normal, estava à direita. O fígado, que normalmente está à direita, estava predominantemente à esquerda”, diz professor assistente Cameron Walker, que considera que as possibilidades de encontrar uma pessoa como Rose “são tão remotas como uma em 50 milhões”.

Rose Marie Phelps nasceu em 1918 e sempre pautou a sua existência com o fascínio pela ciência, motivo pelo qual decidiu doar o corpo, para que fosse estudado, tal como o marido. O casal sempre acreditou que a doação iria fazer a diferença — e que diferença, no caso de Rose.

As três filhas também planeiam doar os corpos e, quando confrontadas com a eventual reação da mãe ao saber que seria uma em 50 milhões, perspetivavam uma reação não tão fogosa, quando se esperaria: “ela teria um grande sorriso na cara”, diz uma das filhas de Rose.

FONTE - Observador

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