Social:
terça, 26 março 2019 13:45

Estudo da Deco: Um em cada quatro inquiridos lava os dentes apenas uma vez por dia, segundo a Deco

Um em cada quatro inquiridos num estudo da Deco lava os dentes apenas uma vez por dia e quase 10% não o faz diariamente. Um terço da população só vai ao dentista em caso de urgência.

Um em cada quatro inquiridos num estudo da Deco lava os dentes apenas uma vez por dia e quase 10% não o fazem diariamente, num país onde quase um terço da população só vai ao dentista em caso de urgência.

De acordo com o estudo da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) esta terça-feira divulgado, que envolveu cerca de 800 pessoas e decorreu em setembro do ano passado, apenas 13% conservam todos os dentes e 29% usa prótese fixa.

O trabalho da Deco, que ponderou os critérios de género, idade, nível educacional e distribuição geográfica, incluindo participantes entre os 18 e os 74 anos, refere ainda que 2% lava os dentes apenas uma vez por semana e são 65% os que cumprem a regra de lavar duas vezes por dia.

Ainda quanto à escovagem dos dentes, metade usa elixir e apenas 40% usa o fio dentário para retirar os restos de alimentos.

A maioria dos inquiridos que conservam todos os 32 dentes pertencem à faixa dos 18 aos 34 anos (38%), cerca de três em quatro têm, pelo menos, um dente restaurado e dois em cada três têm um dente desvitalizado, refere o estudo.

“A situação ocorre inclusive entre os mais jovens: são 60% no primeiro caso e 45% no segundo”, acrescenta.

O estudo corrobora os dados do barómetro de saúde oral de 2018 quanto às idas ao dentista, indicando que apenas metade cumpre a recomendação da visita anual e a maior parte diz que não cumpre por razões financeiras.

“Dos que o fizeram, só 6% conseguiram vaga no público”, indica a Deco, sublinhando que 92% fizeram o tratamento necessário no setor privado e lembrando que, nesta fatia, estão os que revelaram uma situação financeira crítica.

A Deco diz que esta situação “reforça a ideia de que o fizeram por não terem soluções no público”, mas admite igualmente a hipótese de “um eventual seguro pago pela entidade patronal ter comparticipado a despesa”.

“Um pouco menos de metade dos inquiridos que foram seguidos no privado beneficiaram deste tipo de apólices (44%), que, contudo, nem sempre pagaram a totalidade dos encargos. Metade dos que trataram ou fizeram limpezas aos dentes pagaram tudo do seu bolso”, acrescenta o documento.

Segundo o barómetro de saúde em 2018, quatro em cada dez portugueses não vão ao dentista há mais de um ano e quase um terço da população diz que nunca vai ao dentista ou só vai em caso de urgência.

Entre 2014 e 2018, aumentou ainda o número de pessoas que não consulta o dentista há mais de dois anos.

O estudo da Deco diz que são sobretudo os homens e os participantes com baixo nível educacional quem mais desrespeita as recomendações e sublinha que “quem se posiciona nas faixas etárias mais jovens, homem ou mulher, tende a ser mais cumpridor do que os mais velhos (67% contra 56%)”.

“A grande maioria dos incumpridores alegam ser muito caro, talvez porque o público não ofereça as opções necessárias”, refere a Associação para a Defesa do Consumidor, que aponta os cuidados de saúde oral como “uma das falhas mais graves do Serviço Nacional de Saúde, apesar de experiências positivas como o cheque dentista”.

“O sistema deveria prever consultas de acesso facilitado a qualquer cidadão — o estudo também prova que os mais carenciados têm uma saúde oral mais deficiente”, sublinha a Deco.

Atualmente, há cerca de uma centena de médicos dentistas distribuídos por 60 a 70 centros de saúde.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

FONTE - Observador

Ler 79 vezes