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segunda, 25 março 2019 11:14

Bebé de cinco meses morre depois de circuncisão em casa

A morte do bebé aconteceu na passada sexta-feira em Itália e é a segunda no espaço de dois meses no país. Ambos os casos aconteceram em famílias de origem africana.

Um bebé de cinco meses morreu, em Itália, na passada sexta-feira depois de uma circuncisão feita em casa. As autoridades estão a investigar a causa de morte do bebé que sofreu uma paragem cardíaca depois da intervenção, noticiou o jornal The Telegraph. É a segunda morte em Itália no espaço de três meses.

A circuncisão aconteceu em Scandiano, no norte do país, na casa de uma família ganense. Depois da paragem cardíaca, a criança foi encaminhada para o hospital de Bolonha, onde viria a morrer. Os pais são os principais suspeitos da morte da criança.

Em dezembro de 2018, um bebé de dois anos morreu depois de ser sujeito a uma circuncisão em casa de uma família nigeriana. O irmão gémeo ficou hospitalizado em estado grave depois do mesmo procedimento. Um americano de origem líbia, de 66 anos, foi preso por ser o responsável pela circuncisão dos gémeos.

Cerca de quatro a cinco mil crianças são sujeitas a circuncisão (remoção do prepúcio) em Itália, seja por motivos médicos ou religiosos — uma prática comum entre judeus, muçulmanos, coptas e etíopes ortodoxos. Destas circuncisões, 35% acontecem de forma clandestina, acusa a associação de médicos estrangeiros em Itália (AMSI), citada pelo site Quotidiano.net. Foad Aodi, presidente da associação, defende uma melhor regulação da circuncisão e que as famílias tenham acesso a apoio médico para o fazerem a preços reduzidos.

Quando se deve fazer uma circuncisão?

A circuncisão, que remove a pele da glande, deve ser realizada, por indicação médica, quando o orifício do prepúcio é tão pequeno que não permite a exposição da glande, levando a que o indivíduo do sexo masculino tenha problemas a urinar ou durante as relações sexuais, explica a clínica Lusíadas no site. Mas a circuncisão não é a única opção médica: há problemas que se resolvem com um pequena cirurgia de alargamento do orifício, sem remover o prepúcio; outros casos podem ser resolvidos com uma pomada corticoide.

O facto de o prepúcio estar colado à glande não é um indicação, por si só, para se realizar uma circuncisão ou intervenção equivalente, explica a clínica CUF no site, visto que isto é muito comum nos primeiros anos de vida. “Aos 6 meses somente 20% dos meninos conseguem expor totalmente a glande, mas quase 90% já o conseguem aos 3 anos”, lê-se no site. “Menos de 1% dos homens tem fimose [dificuldade ou impossibilidade de expor a glande] pelos 17 anos.”

Logo, os pais não devem fazer massagens nem forçar a pele, porque correm o risco de provocarem pequenas feridas que, essas sim, depois de cicatrizarem podem originar uma fimose. “A melhor prevenção é ensinar aos pais uma boa higiene das crianças, sem fazerem massagens ou exercícios, e reconhecendo e tratando adequadamente as dermatites, assaduras e infecções que possam ocorrer”, escreve a CUF.

A circuncisão tem também sido associada a uma menor probabilidade de infeção com VIH em homens heterossexuais e a Organização Mundial de Saúde recomendou este tipo de cirurgia nos países onde há elevada prevalência da doença. “[No entanto,] é pouco provável que a circuncisão seja fortemente promovida para prevenir a propagação do VIH fora do continente africano”, conclui a Associação Portuguesa para a Prevenção e Desafio à Sida (Ser+).

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FONTE - Observador

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