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quinta, 11 outubro 2018 21:28

Autoridades de saúde dizem que residência de estudantes no Porto fez o "necessário" para controlar Legionella

Não existem casos de doença dos legionários associados à presença da bactéria numa residência de estudantes da Universidade do Porto, garante Administração Regional de Saúde do Porto.

A Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte disse nesta quinta-feira ao PÚBLICO que não há casos de pessoas infectadas com a bactéria Legionella numa residência de estudantes da Universidade do Porto. E explicou que não existem recomendações específicas para as residências universitárias fazerem análises de detecção da presença da bactéria. O Jornal de Notícias noticiou na quarta-feira que os serviços sociais da Universidade do Porto informaram esta esta semana os estudantes que estão a morar na residência universitária Jayme Rios de Sousa que em Maio detectaram a presença de Legionella no sistema de abastecimento de água quente. A situação, segundo o mesmo jornal, deixou muitos alunos indignados por não terem sido informados antes.

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Para a ARS Norte, contudo, “foram tomadas as medidas consideradas necessárias para controlar o risco, não tendo sido identificados casos de doença dos legionários associados à Residência Universitária Jayme Rios de Sousa”. Por esta razão, não há "motivo para alarmismo”.

A Legionella é uma bactéria que pode existir em reservatórios naturais como rios e lagos e, também, em reservatórios artificiais como sistemas de água doméstica (quente e fria), humidificadores ou torres de arrefecimento. A infecção transmite-se por via aérea, através da inalação de gotículas de água (vapores) contaminadas por este microorganismo que pode provocar um tipo de pneumonia grave.

Embora a sua presença possa ser normal nos sistemas de água, existem valores de referência de concentração da bactéria. A partir de certo nível de concentração devem ser tomadas medidas de controlo. E quando ela é mais elevada devem ser feitos tratamentos como o choque térmico (água a temperaturas superiores a 70º durante determinado tempo) e limpeza química da rede. Esses valores são detectados através de análises nos locais onde a bactéria se pode desenvolver.

“Não existem recomendações específicas para este tipo de equipamentos [residências universitárias] em relação à periodicidade de análises”, explicou a ARS Norte, que adiantou que a situação da residência universitária Jayme Rios de Sousa “está a ser acompanhada pela Autoridade de Saúde do ACES [Agrupamento de Centros de Saúde] Porto Oriental".

O gabinete de comunicação da Reitoria da Universidade do Porto disse ao Jornal de Notícias que a presença da bactéria não foi logo comunicada aos estudantes por os valores detectados serem baixos. Mas que, perante a persistência do problema, comunicada aos serviços na semana passada, foram tomadas medidas imediatas, com o encerramento do sistema de distribuição de água quente, desinfecção dos chuveiros e limpeza química e choque térmico no sistema de água. Até ao final do mês os estudantes não podem tomar banho nos duches dos quartos.

Casos nos hospitais

Os últimos casos de Legionella conhecidos publicamente aconteceram em hospitais. O mais recente foi no serviço de obstetrícia do Centro Hospitalar S. João. A unidade tomou medidas imediatas de desinfecção e não foram registados casos de doença. Houve também um surto no hospital CUF Descobertas que atingiu 15 pessoas no final de Janeiro deste ano.

Já em Novembro do ano passado um surto no Hospital S. Francisco Xavier, em Lisboa, infectou 56 pessoas, das quais seis acabaram por morrer. A fonte de contágio terá sido uma torre de arrefecimento. Foi depois deste caso que o Governo e vários partidos apresentaram propostas para a criação de um novo regime de prevenção da Legionella, com a imposição de auditorias de três em três anos aos equipamentos de climatização ou tratamento de ar.

O maior surto de Legionella do país aconteceu em Vila Franca de Xira, em 2014, com mais de 400 pessoas infectadas e 14 mortes registadas. A bactéria foi detectada numa torre de refrigeração de uma empresa de fertilizantes. Corre um processo em tribunal.

FONTE - Público

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