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sexta, 06 julho 2018 13:17

Alfredo da Costa encerra três salas de parto por falta de profissionais

"Esconder o que está a acontecer não vai resolver o problema", refere a bastonária dos Enfermeiros, sobre as várias declarações feitas esta semana pelo ministro da Saúde.

A Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, teve de encerrar três salas de parto dada a falta de pessoal para suprir a passagem às 35 horas de trabalho de profissionais de saúde, denunciou esta sexta-feira a bastonária da Ordem dos Enfermeiros.

Ana Rita Cavaco revelou que a Maternidade Alfredo da Costa, além de encerrar três salas de parto, reduziu o número de enfermeiros por turno, "o que não dá segurança às pessoas", disse à Lusa.

A representante dos enfermeiros relata que todos os dias tem conhecimento de "encerramento de camas e fecho de alguns serviços", fruto do que os profissionais têm considerado como a falta de planeamento adequado com a passagem, a 1 de Julho, às 35 horas de trabalho semanais por parte de milhares de profissionais de saúde.

"Esconder o que está a acontecer não vai resolver o problema", refere a bastonária dos Enfermeiros, sobre as várias declarações feitas esta semana pelo ministro da Saúde, que tem dito que a esmagadora maioria dos hospitais vive uma situação de normalidade com a passagem às 35 horas.

Chaves, Lamego e Vila Real fecham 48 camas

Ana Rita Cavaco indica ainda que em Chaves, Lamego e Vila Real "vão encerrar 48 camas", porque do reforço de 60 enfermeiros que se estima necessário só foram autorizados 32.

A bastonária lembra ainda que os enfermeiros que entram, além de serem em número insuficiente, "não contam logo como elementos", visto que têm de fazer a sua integração na equipa.

Segundo a Ordem dos Enfermeiros, no Hospital de Gaia, por exemplo, chegaram três enfermeiros novos esta sexta-feira ao serviço de urologia, mas uma das enfermeiras da equipa entrou de baixa por "não ter aguentado trabalhar sozinha com 18 doentes, como tem acontecido".

Vários profissionais de saúde e também partidos políticos têm criticado o Ministério da Saúde por falta de planeamento atempado com a passagem das 40 para as 35 horas de trabalho semanais desde 1 de Julho, considerando ainda que os profissionais que o Governo anuncia são insuficientes para cobrir as necessidades".

De acordo com o ministro da Saúde, serão contratados este mês cerca de 2000 profissionais (entre enfermeiros, técnicos e administrativos) para cobrir a passagem às 35 horas. Adalberto Campos Fernandes tem dito ainda que até Maio entraram no Serviço Nacional de Saúde cerca de 1600 profissionais já a contar com as 35 horas.

O ministro tem reiterado que o Governo e os hospitais estão a fazer um planeamento "como nunca foi feito", mas não se compromete com a contratação adicional de profissionais depois do Verão e indica que não deverá haver margem financeira para contratar o número desejável de profissionais.

CDS denuncia situação grave no interior

Também nesta sexta-feira, o CDS denunciou a situação "particularmente grave" que se vive nas unidades de saúde do Interior pela passagem às 35 horas de trabalho e exigiu que o Governo adopte medidas para atenuar os efeitos de uma "decisão irresponsável".

"A partir do momento em que o Governo avançou para as 35 horas tem que garantir que essas 35 horas não se repercutem no serviço que é prestado às populações e no Interior aquilo que está a acontecer é exactamente o contrário. Não se trata aqui de pedir a demissão do ministro, trata-se aqui de pedir camas, enfermeiros, médicos e profissionais de saúde para colmatar a decisão do Governo", disse o vice-presidente do CDS Adolfo Mesquita Nunes. Falava na Covilhã, distrito de Castelo Branco, onde realizou uma conferência de imprensa para denunciar a "grave situação" que se vive nas unidades de saúde dos distritos da Guarda e de Castelo Branco.

Acompanhado pelos presidentes das distritais do CDS da Guarda e de Castelo Branco, Adolfo Mesquita Nunes classificou de "irresponsável" a decisão do Governo e sublinhou que as "consequências estão à vista".

Frisou que na Guarda já foram encerradas camas e unidades, que na Covilhã há serviços a entrarem em colapso e que em Castelo Branco a bolsa de recrutamento só foi aberta na quinta-feira, pelo que terá de se "esperar vários meses para que se possam colmatar as falhas".

"Temos 35 horas, mas não temos nem médicos, nem enfermeiros, nem camas e isto para o Interior é particularmente mais grave", acrescentou.

O líder centrista garantiu que não estão em causa as 35 horas, mas sim o facto de o Governo ter avançado com a medida, sem acautelar os meios necessários para evitar a deterioração dos serviços.

O Centro Hospitalar da Cova da Beira (CHCB) informou entretanto em comunicado que não vai encerrar serviços especializados pela passagem às 35 horas de trabalho e que procederá à estruturação eficiente dos recursos, estando já a contratar mais profissionais.

Esta unidade de saúde, que integra os hospitais do Fundão e da Covilhã, no distrito de Castelo Branco, explica que na sequência da passagem às 35 horas de trabalho realizou uma "verificação e análise de todas as situações", tendo identificado a "necessidade de contratação de recursos humanos de várias classes profissionais afectadas", que reportou à tutela.

Segundo o comunicado, o CHCB já iniciou a contratação de pessoal, "designadamente enfermeiros, assistentes operacionais e TSDT [técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica] em contrato de trabalho sem termo" e aguarda "autorização para encetar várias outras contratações, no mais breve espaço de tempo".

FONTE - Público

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