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sexta, 17 fevereiro 2017 11:24

Hospital da Guarda abre inquérito a morte de bebé

A grávida esteve alegadamente à espera de assistência de um especialista durante cerca de uma hora e meia. Quando o médico chegou já não havia nada a fazer pelo bebé.

O hospital da Guarda vai abrir um inquérito para averiguar eventuais responsabilidades dos médicos na morte de um bebé na quinta-feira, depois de uma mulher grávida de 39 anos e na fase final da gestação ter dado entrada na Unidade de Saúde Local (ULS) com perdas de sangue e ter alegadamente esperado durante cerca de 1h30 pelo atendimento de um obstetra. 

A mulher, já com 37 semanas de gravidez, deu entrada no serviço de Urgência do Hospital Dr. Sousa Martins, na Guarda, às 9h30 e foi registada quatro minutos depois, segundo precisou a ULS em nota de imprensa. "Estava com perdas de sangue pouco significativas, tendo de imediato feito registo RCT às 9h34m", precisa a nota. Este é um exame de cardiotocografia que é habitualmente feito ao longo da gravidez e permite avaliar a frequência cardíaca (batimentos) do bebé.

O hospital não adianta qual foi o resultado do exame, sublinha apenas que foi depois realizada uma ecografia fetal que "confirmou a morte do feto". Quanto tempo passou entretanto? "É isso que está a ser averiguado, estão a ser ouvidos os profissionais, há discrepância de timings", explicou ao PÚBLICO a assessoria de imprensa da ULS, que apenas adiantou que haveria dois obstetras de serviço, o mínimo exigido por lei para que um bloco de partos possa funcionar em Portugal.

A mulher "foi encaminhada para o Bloco Operatório e submetida a uma cesariana", acrescenta ainda o hospital na nota, novamente sem detalhar quanto tempo passou entre o primeiro exame e segundo exame e até à entrada no bloco.

Segundo o "Jornal de Notícias", que divulgou o caso esta quinta-feira, a mulher, que ia ser mãe pela primeira vez após sucessivos tratamentos para engravidar, tinha o parto agendado para o próximo dia 27. Terá, segundo o jornal, estado à espera do médico mais de hora e meia, depois de a equipa de enfermagem ter procedido ao registo dos batimentos cardíacos e chamado o obstetra que, apesar de supostamente estar no hospital, apenas terá respondido à emergência tarde demais.

Em conferência de imprensa, Carlos Rodrigues, presidente do conselho de administração do hospital da Guarda, disse que a unidade vai abrir um inquérito “com três especialistas de obstetrícia e uma jurista”, todos externos à equipa do hospital e nomeados pela Administração Regional de Saúde do Centro.

Carlos Rodrigues escusou-se, porém, a esclarecer alguns pormenores relacionados com a assistência prestada por considerar ainda prematuro “o juízo de opinião” e insistiu em aguardar pelos resultados da investigação. O responsável falou sobre a situação numa conferência de imprensa, por volta das 11h40 desta sexta-feira. “Compreendo a vossa vontade de saber, mas não posso estar a dizer algo que não está provado ainda”, justificou, afirmando que estava no hospital pelo menos um médico obstetra e recusando explicar a hora a que foi feita a ecografia à paciente.

A decisão de avançar com o inquérito surge depois do relatório inicial de averiguações para apuramento de responsabilidades do departamento de saúde materno-infantil. O inquérito deverá avançar entre sábado e segunda-feira, informou o responsável da unidade de saúde. “Deve avançar já amanhã. Ou segunda-feira. Provavelmente será já amanhã”, detalhou.

Em comunicado, a Administração Regional de Saúde do Centro “lamenta profundamente a situação ocorrida” e garante que “serão apuradas todas as responsabilidades e respectivas consequências resultantes do processo de inquérito”.

FONTE - Público

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