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sexta, 07 setembro 2007 08:32

Presidente do Sindicato dos Enfermeiros, Enf. José Correia Azevedo

O Forumenfermagem entrevistou o  Presidente do Sindicato dos Enfermeiros, Enf. José Correia Azevedo, na busca de obter respostas a algumas questões que se interrogam na nossa profissão.

 

 

FE – O desemprego parece estar a assombrar o futuro dos recém-licenciados. Demoram-se meses a arranjar o primeiro emprego. O exercício liberal será uma solução?

JCA – O tempo de colocação de enfermeiros no CS e no Hospital, de preferência perto da residência, o mais possível, acabou porque o fenómeno de exploração de formação de Enfermeiros, está aí. Aliás esta é uma das formas imediatas de desvalorizar o nosso papel. Por isso alertamos, mais do que defendermos, que os Enfermeiros devem lançar mão de tudo que tenha a ver com a sua profissão, nomeadamente ressuscitando práticas que o monolitismo acomodatício dos CS/Hospitais, foi desprezando tanto em professores como nos alunos. O exercício liberal é uma forma decente de ganhar a vida e combater a concorrência. Há dias um parvalhão elitista ignorante chamava a isto abertura de tasquinhas. Qualquer médico, quando termina o seu curso, pensa, antes de mais, em abrir um consultório. A ignorância faz com que entre nós, se transformem os Enfermeiros em tasqueiros deixando antever, que os postos de Enfermagem seriam tasquinhas. Não conheceram a nossa vida antes do SNS, apesar de sermos poucos. Defendemos sim o exercício liberal, porque o modelo SNS está a definhar, com elevados custos para os Enfermeiros. Não descuramos a hipótese de empregar mais Enfermeiros. Para isso é preciso congregar esforços para agir em conformidade. Não basta dizer que faltam 20 ou 30.000 Enfermeiros no SNS, é preciso fazer força para que fiquem a faltar menos.

 

FE – Em que pé está a negociação da carreira de Enfermagem? Será possível a equiparação à Carreira dos Técnicos Superiores?

JCA – A Carreira de Enfermagem é Técnica, para o Enfermeiro e Graduado, aquando dos bacharéis, é Técnica Superior a partir do Especialista. Como os enfermeiros são licenciados, agora, o problema é de ajustamento e não de equiparação, pois a nossa carreira já é de Técnicos Superiores. O problema é começarmos as negociações. Estamos a fazer força nesse sentido. Iremos escrevendo sobre isso no nosso “sitio”.

 

FE – Sente que os Sindicatos perderam força com a chegada da corrente managerialista nos serviços públicos? Existem maiores dificuldades hoje em dia para lutar pelos direitos dos enfermeiros?

JCA – O SE não sente dificuldades de defesa dos Enfermeiros, em relação a outros. O problema é dentro dos próprios Enfermeiros que tardam em descobrir a força da união, que não unicidade. De qualquer modo não podemos desconhecer o papel dos gerentes, uma casta híbrida, escorraçada dos bancos, onde fizeram cursos de gestão geral ou económico-financeiras e ei-los armados em gestores, aliados aos médicos para espezinharem, uns e outros, os Enfermeiros que se distraem, trabalhando muito para ganharem bastante, quando a nossa máxima é trabalharem pouco para ganharem o suficiente para viverem decentemente. Esse é um problema sério que estamos a atacar de forma letal. Os Enfermeiros, neste contexto, ficam no meio da tesoura constituída por uma haste médica e outra gerencialista.

 

FE – Concorda com o internato em Enfermagem?

JCA – O SE apoia um esquema em que os Enfermeiros façam a sua formação ganhando o seu vencimento como acontece com os médicos. Não admitimos, de modo algum estágios disfarçados de internatos para explorar os Enfermeiros, como sempre tem acontecido. É uma matéria em que não vamos abdicar de o título de Enfermeiro seja válido, terminado o curso. As especializações são conseguidas em serviço pago. Não pode haver paralelismo com o internato médico, porque esse exige vagas. Com os Enfermeiros o emprego terá de vir primeiro e o internato, depois, por isso diz formação especializada em serviço.

 

FE – O Sindicato dos Enfermeiros  tem alguma base de dados de quantos enfermeiros estão desempregados?

JCA – Nós não dispomos de dados suficientemente credíveis para fins estatísticos, porque os próprios os não fornecem e porque a sindicalização nos desempregados ainda é pouco significativa, apesar de no SE não pagarem cotização antes de começarem a trabalhar, pois a quota é 1% do vencimento. Se não há este, não há aquela.